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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Por que os gays não namoram?

Este texto tenta elaborar motivos que mantém tantos gays solteiros.
Se você não for cuidadoso, pode pensar que é verdade quando
pastores dizem que gays não criam relações porque são promíscuos. 


    Eu tenho passado bastante tempo tentando me decidir se é hora de parar de fazer sexo casual, mudar minhas prioridades e arrumar um namorado¹. Daí reflito e concluo que uma coisa não exclui a outra, pois um namorado ou marido pode surgir de um sexo casual contanto que exista dedicação para conhecer melhor a pessoa, vê-la mais vezes e realmente investir tempo e esforço na construção de uma relação. Também não gosto de associar valores como "sexo casual é ruim" e "namoro fixo é bom", porque eu tenho uma aversão à moralidade tradicional que geralmente transborda em hipocrisia, e assim sigo minha vida bandida.
    Eu sou meio tarado e falocêntrico. Talvez não tão tarado, mas sei que a maioria das pessoas me julgariam tarado pelos seus padrões, porém eu reconheço meu falocentrismo. Essas duas características guiam meu comportamento sexual de uma forma que eu não preciso me sentir atraído sexualmente pela pessoa para fazer sexo com ela, contanto que ela tenha uma bilola que eu possa usar. Em outras palavras, eu reduzo meus parceiros a meros órgãos sexuais para o meu deleite momentâneo, numa objetificação que me ajuda a não me envolver emocionalmente com ele e me afastar quando me for conveniente.
    Há alguns meses eu notei que este comportamento podia se tornar destrutivo, e tive um colapso emocional que me incentivou na saída do armário. Eu esperava que quando eu tornasse claro para família e amigos que eu sou gay, eu magicamente teria uma mudança de pensamento que pudesse colocar os ideais de monogamia e família na minha cabeça.
    Ainda não notei mudanças, mas talvez está cedo para notar. Ou talvez eu seja muito inocente por imaginar que sair do armário possa afetar minha essência significativamente.
Encontrar um namorado não é uma prioridade na minha vida, e não acredito que será algum dia. Nunca busquei um, e os que tive simplesmente apareceram. Conto com que outros aparecerão, e eu não devo colocar o resto da minha vida em hold enquanto ele não aparece. Dessa forma, vou acabar transando com NY e MG inteiras se isso demorar.

    Apesar do meu comportamento atrapalhar, eu não creio que a culpa de eu estar solteiro seja exclusivamente minha. Eu passei anos pensando que eu estava fazendo alguma coisa de errado nas minhas relações, e pensando que para achar um namorado eu deveria dar mais valor ao sexo, para que meu possível namorado dê mais valor a mim. De repente eu percebi que eu não quero um namorado que trate o sexo como uma coisa mística, ou que associe o valor da pessoa à quantidade de sexo que ela faz.
    O mundo tem parte na culpa de eu estar solteiro (disse o garoto mimado que não reconhece as próprias falhas), e nós estamos em desvantagem quando nos comparamos com héteros nesse sentido.
    É reducionista dizer que gays não namoram porque são promíscuos (como eu), e esta é uma ideia comum tanto para héteros quanto para gays. Por isso, precisamos abordar causas que são externas a nós e que estão fora do nosso controle para explicar porque tantos de nós estão solteiros.
    Causas como, por exemplo, o fato de existirem muito menos gays do que héteros. Como se não bastasse o número reduzido, é preciso que haja atração mútua para que se comece um relacionamento. Não somente o número é reduzido, como também nós não temos o privilégio de chegar em alguém na rua para convidar para sair, ou para um café, ou simplesmente trocar zapzap para conhecer melhor, como héteros fazem.
    Outro fator que deve ser considerado é a inabilidade que gays tem de lidar com relacionamentos e sentimentos quando adultos, porque quando héteros são adolescentes, eles estão de namoricos e de certa forma “treinando” como lidar com um relacionamento, enquanto adolescentes gays estão tentando se entender, tentando se esconder, alguns lidando com depressão e tentando se manter vivos.
    E como conhecer outros gays? Existem alguns lugares seguros para gays, mas só se você tiver a sorte de morar numa cidade grande. Porém, infelizmente, a maioria desses espaços é hiperssexualizada, como boates e saunas. Talvez o sexo domine esses lugares porque muitos gays crescem reprimidos sexualmente, e já que gay não querem, ou não sabem como namorar, sexo é o que nos resta. Sem falar dos "discretos" que tentam se manter no armário e transar com qualquer pessoa disposta, ao invés de tentar fazer um relacionamento funcionar.

    Outro fator é o racismo deliberadamente pesado em nossa comunidade, de difícil reconhecimento, e que muitas vezes eh percebido como “uma questão gosto”. Um gosto tóxico, que exclui qualquer um que não seja branco, hétero, masculino, cisgênero e cristão. Engraçado notar como esse gosto sempre converge para o padrão, deixando para classificar gostos diferentes como "fetiche"
    Gays, em geral, procuram uma versão da estátua de Davi, branca e musculosa, como namorado ideal. Se você for branco, você pode ser um cara medíocre em todos os outros aspectos da sua vida, e você ainda vai ser desejado, enquanto uma pessoa negra ou parda tem que se destacar, ser inteligente e gostosa, ser excepcional, quase divino, para que alguém se interesse por ela. Na realidade do Brasil, onde 50% da população é não branca, isso reduz ainda mais as possibilidades de encontrar um namorado. As coisas pioram quando consideramos como as relações de raça no Brasil são ambíguas, e uma parcela considerável dos 50% que se declaram brancos não fazem o requisito de branquitude que é endeusado².
    Quando alguém considera namorar um negro, ele é hiperssexualizado, ele tem que ser dotado, uma máquina de sexo, e inclusive é muito fácil notar isso em sites de vídeos pornô. Quando um ator é negro, esse detalhe faz parte do título do vídeo, e existem categorias para esse tipo de sexo inter-racial. O gay negro ou pardo comum dificilmente é considerado por nós como um possível namorado, e muitos deles inclusive perdem a disposição para procurar parceiros, recolhendo-se ao celibato. Este é um problema muito comum para mulheres negras³ também, e recomendo um texto sobre "A solidão e falta de esperança do preto gay", clicando aqui.
    E por fim, machismo mascarado em forma de gosto pessoal, que não aceita gays afeminados, reduzindo ainda mais as chances de encontrar algum homem que possa lhe causar interesse, mas esse tema todo mundo já conhece.
Então, da próxima vez que você pensar que existe algo de errado contigo por você estar solteiro, considere esses outros fatores que podem pesar muito mais do que qualquer determinação em querer namorar.
Agora para os senhores.
Estão namorando? Se sim, digam como se conheceram, e se não, quais as dificuldades que vocês percebem.
Vocês acham que a frequência com que vocês fazem sexo casual atrapalha da procura de um namorado fixo?
Vocês já ficaram com algum, ou namorariam um gay negro e afeminado?
Um grande abç,
H.B.

**************
1 - Namoro na sua definição tradicional de compromisso e monogamia, como estamos acostumados a ver com héteros.

2 - Nossa população tem uma grande carga genética dos árabes do norte da África que invadiram a península Ibérica uns 1200 anos atrás. Seus descendentes no Brasil se reconhecem como brancos, mas não desfrutam integralmente dos benefícios que um branco europeu desfruta. É interessante notar que não existe um grupo racial chamado "Latinos" no Brasil, que é como estes homens de descendência árabe do sul da Ibéria seriam classificados aqui nos EUA. Brancos com os maiores privilégios são geralmente europeus caucasianos.

3 - Videozinho legal que discute um pouco sobre a solidão da mulher negra aqui.

19 comentários:

  1. Excelente texto. Muito pertinente.
    Você tocou em pontos que muitos gays se recusam a ver: A seletividade de parceiro baseado em um padrão que não corresponde a realidade brasileira, o preconceito racial, o machismo em relação a gays afeminados. O preconceito em relação a gays afeminados deriva da vergonha que a maioria dos gays sente em ser gays; à exceção, os que transpuseram a vergonha. No entanto, não é uma realidade exclusivamente brasileira, mas de qualquer país fundado sob valores culturais hegemônicos eurocêntricos. Pelo menos foi o que pude observar em alguns países vizinhos. Transpor a ideia de que alguns de nossos gostos estão alicerçados em preconceitos socialmente aprendidos requer desconstrução e ainda falta muito empoderamento para que isso aconteça. Você pareceu ter passado por isso.

    Um grupo racial denominado latino no Brasil não faz sentido por que todos os brasileiros são latinos independentes de suas origens étnicas. A população brasileira precisa ser reconhecer como latina. Vivemos voltados à Europa e aos E.U.A (a mídia) e isso nos impede de ver que temos passado e presente semelhante aos nossos vizinhos.


    Quanto às suas perguntas.
    Não namoro porque namoro à distância é inviável.
    Já tive(ou tenho) relacionamento com um rapaz negro e confesso que depois tive de desconstruir esse gosto baseado na paixão. Eu morava em uma cidade onde 95% das pessoas eram brancas.
    Se sexo casual atrapalha encontrar um namorado? Não sei dizer, todas as vezes em que me dispus a procurar por um acabaram em sexo casual.

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    1. É muito interessante ver como as relações raciais interferem em tantos aspectos das nossas vidas. Realmente a preferência do gay branco e masculino não é uma realidade exclusiva do Brasil, e não sei quantificar qual dos dois países sofre mais com isso.

      Apesar de eu ter a sensação de que o discurso de white supremacy e white privilege é mais difundido aqui (claro que minha percepção é muito influenciada pelos meios em que estou inserido tanto no brasil quanto nos eua), isso não impede que os padrões eurocêntricos sejam priorizados na busca de um parceiro, mesmo entre os que pertencem à minorias. O endeusamento do homem branco e masculino é gritante aqui também, mesmo com as constantes denúncias e tentativas de integração de minorias.

      E sim, matutei bastante para entender a perversidade por trás dos nossos preconceitos disfaçados de gostos e ainda me esforço bastante para descontuir certos 'gostos' sobre grupos não-padrões. Vide fotos aqui. As vezes fico nauseado com tantas pessoas iguais em tumblrs que sigo para olhar fotos de homens "bonitos". Vê esse exemplo e vê como não existem fotos de homens que não sejam brancos: http://superfriky.tumblr.com/

      Muito que bem. Não faz sentido mesmo existir um grupo étino-racial chamado latino no Brasil, uma vez que, tecnicamente, essa definição engloba todos os nascidos na AL. Aqui ainda vão subdividir esse grupo em latinos hispânicos, não hispânicos, latinos brancos e negros, que é uma forma de reconhecer melhor as identidades de cada povo, já que o termo latino é generalista demais. É um tanto estranho colocar um latino da república dominicana, composta majoritariamente de mestiços espanhios + negros que falam espanhol, com latinos bolivianos, majoriatariamente ameríndios e que falam línguas nativas. Existe uma diversidade étino-racial na região que deve ser reconhecida e apreciada, e o reconhecimento das diferenças faz bem para preservar e promover essas culturas. Isso se torna mais difícil de ser reconhecido quando todos estão sob o mesmo guarda-chuva da definição de latino, quando na cabeça do americano o latino é tipicamente ameríndio que fala espanhol.

      Confesso que a generalização do termo me empurra a tentar não me definir como latino, porque eu não me identifico com essa definição. No narcisismo das pequenas diferenças, já cheguei a me definir étino-racialemente como 'brasileiro', o que as vezes me soa engraçado porque é aceitável!

      Enfim!
      Como assim distância? arruma um boy por perto e desconstrói essa distancia amigue
      Se relacionar com um negro numa cidade de 95% branca é pra bater palma! Não que isso não devia ter ocorrido, mas existiriam poucos fatores externos para te incentivar a se desconstruir.
      Tambem nao sei sobre sexo casual, mas será que saber que existirá outro disponivel na esquina me incentiva a não me esforçar para criar relações com o que eu estou agora? subsconscientemente, talvez, quem sabe
      grande abç!

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    2. Entonces N.B, quando digo que devemos ou o ideal seria nos reconhecermos como latinos, não desconsidero essa diversidade existente em cada território, mas é exatamente essa diversidade observada nos países da AL que nos torna todos latinos, seja um peruano do altiplano andino ou um porto-riquenho. As semelhanças estão lá. Outra questão é por ser necessário buscar um ponto em comum de desenvolvimento, baseado nas realidades latino-americanas. Modelos Europeus e Norte-americanos não deram certo. Foram desastrosos por ignorar a heterogeneidade das populações que conformam o continente.
      Eu ouso dizer, que os E.U.A se convertirá em o maior país latino da América. Não apenas pelo contigente de imigrante da A.L nos últimos anos, mas boa parte do oeste e do sul e do oeste foram colonizados pela Espanha e atualmente é o terceiro país com o maior número de hispanofalantes.
      Eu me reconheço primeiramente como latino, mas também como brasileiro, uruguayos se reconhecem como latinos, mas também como rio-platenses devido a identidade e cultura platina existente nos países países que fazem parte do estuário da prata; mesmo não fazendo parte da região o sul do Brasil, MS e MT compartilham os mesmo elementos culturais dos paises rio-platentenses.
      Então, a desconstrução se deu quando nos separamos eu tinha essa preferência devido aos meus sentimentos e acabava por buscar algo parecido e tratava como um gosto e ponto final, mas racismo reverso não existe e mesmo assim não foi fácil desconstruir o gosto, demandou um pouco de energia porque homens brancos não me atraiam em quase nada. O que me chama atenção são negros primeiramente ainda hoje, mas devido a essa descontrução aprecio todos los colores. Descontruir a distância é complicado, é uma história complicada, mas reconheço haver essa necessidade e tenho pensado muito a respeito.

      Esscuta essa música ela sintetiza um pouco a minha opinião sobre o abarcador termo latino. (Desculpa pelas bíblias em forma de comentários, coisa de virginianos) Abraços!

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    3. Música < https://www.youtube.com/watch?v=DkFJE8ZdeG8 >

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  2. Parabéns pelo novo blog, ver sua evolução como pessoa através dos textos é algo muito bom, principalmente com essa melhor abordagem de temas como o machismo e o racismo, que é essencial pelo momento em que vivemos. Apenas acho que como o clima é de renovação e mudança, o visual do blog poderia mudar para acompanhar.

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    1. Obrigado sr. anonimo!
      Também acho que o visual poderia mudar, mas é dificil pra mim pq eu não sou mto bom com html. Pensei em melhorar a identidade visual tambem e por enquanto to fazendo trabalho de formiguinha.

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  3. Bastante pertinente, Boy.
    Tenho desconstruído certos preconceitos meus referentes à cor e feminilidade dos caras com que me relaciono. Prova disso é meu projeto atual: Pardo mais pra mulato, que entende tudo de shampoo (Eu mal sei a diferença entre shampoo feminino e masculino).
    Tempos atrás, eu nem mesmo o notaria, e estaria perdendo um dos caras mais fofos que ja conheci. Ah, e também com relação à idade. Henrique bem sabe da minha queda por caras mais novos. Estou trabalhando nisso!!

    Assim é a vida: evolução e evolução!!

    Respostas:
    *Não ainda, mas to querendo muito fazer dar certo. Conheci via Scruff (Você poderia falar desses Apps qualquer dia!)
    *Ainda não concluí nada sobre essa relação sexo casual X namoro

    Bjão e força na nova vida!!

    Rodrigo

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    1. "pardo mais pra mulato"...apenas: pare.

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    2. Ser pardo indica que você não é nem negro, nem caucasiano, os mulatos são também pardos.

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    3. não, não indica. essas designações de "pardo" e suas outras variações partem muito de uma questão de colorismo, que é empregado quanto menos características alguém tem que facilite sua leitura como negro. apesar de qualquer declaração influenciada pelo padrão da branquitude: é negro, sim!

      http://blogueirasnegras.org/2013/06/26/palavra-mulata/

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  4. Estar numa relação não acontece com maioria dos gays pq dá trabalho.

    Perdi a conta das vezes que quis algo mais e os caras simplesmente queriam sexo, pq é mais fácil de gerir. Cheguei a ter relações "one sided" em que eu bancava o trouxa e pensava que tava numa relação, e eles continuavam pegando meio mundo nas minhas costas.

    Estou solteiro de momento pq cansei de correr atrás quando sei de antemão o resultado, mas na realidade é mais facil ligar o aplicativozinho, encontrar um cara aleatorio, combinar um programa e seguir a vida do que se envolver. Principalmente quando não se é assumido e não se quer se julgado pela sociedade num geral, coisa que acontece mais facilmente se tiver parceiro fixo que seja para mais do que a ocasional transa, tipo passear ir no shopping, etc.

    Quanto aos padrões, acho que é muito relativo, sim que os gays são muito picuinhas e notei muito isso, mas não é uma coisa só deles. Se vc acha que o seu padrão está te prejudicando em vez de ajudar a filtrar as pessoas que lhe interessam, talvez seja uma questão de reavaliá-lo, porque não cumpre mais seu propósito...

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    1. Oi Miguel, bom te ver por aqui!
      Espero que você encontre um rapaz que compartilhe as mesmas aspirações que você quanto a relacionamentos. Não sei dizer dizer se é mais comum que gays prefiram o app do que um romancezinho, mas acho que depende de como somos expostos à comunidade gay. Quem somente conhece outros rapazes por esses apps, pode ter a tendencia de achar que gays evitam envolvimento mesmo.

      Melhor você não correr atrás mesmo, é perda de tempo. Uma coisa legal geralmente acontece sem mto esforço, por haver harmonia entre os dois.

      E sim, os padrões são variáveis. Diferentes pessoas apresentam diferentes níveis de desconstrução.

      Grande abç!

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  5. Oi NB, ainda bem que você vai começar a mostrar que é você. Eu sei que você seguia blogs americanos, não sei se segue mais, na verdade eu achei seu blog lendo blogs americanos. Hoje um blog que eu seguia postou isso:http://2boysinlove.blogspot.com.br/2015/12/the-truth.html#comment-form
    É o segundo blog que a história contada é falso e tem alguns blogs brasileiros que eu segui que acho que é mentira pq os donos nunca parecem ter problemas e sempre arranjam namorados etc. Não é o caso do seu, acho que vc é sim uma pessoa real.
    Nick

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    1. Querido senhor Nick,

      é verdade, eu acompanhava uns blogs americanos sobre rapazes gays de armário, e imagino que deve ser frustrante ler somente sobre pessoas que estão por cima o tempo todo. Dá inveja? Dá sim.

      Em contraste, aqui você vai ler muitos dramas e dificuldades da minha vida, uma vida sofrida e marcada por muitas derrotas e desilusões.

      E btw: o link desse blog não abre? Tem um aviso dizendo que ele foi removido.

      Grande abraço!

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  6. Ótimo texto. Muito consistente e pertinente. É ótimo também saber que está de volta. Gosto do que você escreve e, pretendo acompanhar este blog tanto quanto o anterior. Tenho um relacionamento sério há três anos com alguém que é vinte e seis anos mais velho que eu. No início foi complexo para ele compreender minha preferência por homens mais velhos e, tantos outros aspectos da minha personalidade que era tão complexa, incompreensível e, por muitas vezes intransponível. Eu estava em um processo de aceitação de término de um relacionamento que, após algum tempo, percebi que nunca existiu, ao menos para a outra parte. Nós nos conhecemos através da internet, em um famigerado chat. Lembro que eu usei o mesmo nickname de sempre, insinuando que eu desejava algum "maduro sério" e, lá estava ele assim que eu entrei em uma das salas, convidando-me para conversar. Após trocar algumas informações, começamos a conversar e, o mais interessante é que passamos a conversar diariamente, sendo que, após duas semanas tivemos os primeiros diálogos a respeito de nos encontrar. Ele queria me encontrar logo na casa dele no primeiro encontro e eu, como já tinha bastante experiência no meio e tinha já algo na cabeça para não correr riscos com estranhos, neguei imediatamente, indo para a casa dele apenas no terceiro ou quarto encontro (após ter alguma certeza a respeito do terreno no qual eu estava pisando, ou melhor, certeza a respeito da pessoa com quem eu estava me envolvendo). Simpatizamos mútua e imediatamente e, no último mês de setembro completamos três anos de amor, bons sentimentos e companheirismo. Eu acredito que é tudo uma questão de encontrarmos a pessoa correta para nós, apesar de nossa comunidade apresentar todas as questões abordadas no texto. Acredito ainda que não devemos constituir em nossas mentes quaisquer expectativas absurdas a respeito de possíveis relacionamentos porque isto pode ser extremamente frustrante e, fazer com que nós fiquemos desiludidos com outras pessoas por motivos constituídos única e exclusivamente por nós mesmos. Acima de tudo, para que possamos nos sentir bem com outra pessoa e constituir um relacionamento com a mesma é necessário nos sentirmos bem com nós mesmos, porque quando estiver apto emocionalmente saberá como se doar ao próximo e tornar externo o melhor de você. Parabéns pelo retorno e fique conosco meu caro. ;)

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    1. Obrigado pelas palavras!
      Fico feliz que tenhas um relacionamento de 3 anos! Tecnicamente isso significa 23 anos em anos gays.
      A parte inicial se assemelhou muito a do Miguel, se ter um relacionaento uniderecional. Acho interessate isso, mas deve fazer mal pra pessoa que só dá.

      Acho legal vc ter um namorado 26 anos mais velho, inclusive já peguei alguns mais velhos assim. De todos os que eu peguei sobram poucas idades das que eu não peguei... enfim rsrs

      Dias atrás um amigo comentou sobre outro amigo que está namorando um ara da África do Sul que é 30 anos ou mais velho que esse amigo do amigo. Por um momento tive que desconstruir a ideia de golpe do bau e acreditar que pessoas podem se interessar genuinamente por caras bem mais velhos. Aiai, minha ignorancia... Você passa por situações em que as pessoas duvidam da legitimidade do seu sentimento? Diferença de idade ainda é um tabu em relacionamentos.

      Tentarei ficar convosco!
      grand abç

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    2. Que me recorde nunca tive contestações a respeito da legitimidade dos meus sentimentos para com meu namorado, mas, o fato é que ele próprio, no princípio, e outras pessoas também questionaram/questionam a diferença de idade como fator para que um relacionamento não prospere. O fato é que estamos há pouco mais de três anos juntos e, posso afirmar que muito além da idade temos de ter em mente o nosso relacionamento em si com o outro. Se há efetivamente a troca, o sentimento e tantos outros fatores que caracterizam um bom relacionamento, questões, ao meu ver, pouco importantes como a idade devem ser desconsideradas. É óbvio que há a discrepância com relação às gerações, experiência, dentre outros, porém, se há as características para a construção de um bom relacionamento, que já citei acima, acredito que qualquer suposto impeditivo deve ser descartado. Além disto, apesar da minha juventude tenho um "espírito cansado" e, neste aspecto, posso compartilhar e muito da personalidade e, por que não, idade do meu namorado.

      Abraço, meu caro e... Continue a compartilhar suas experiências. Pode ser um exercício para você e, um auxílio para tantos outros(as) que podem estar atravessando experiências semelhantes às suas.

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  7. Eu vou fazer um comentário meio egoísta a principio...

    Mas não sei, eu não sou regra, mas para mim e para algumas pessoas que eu conheço, acredito que passamos tanto tempo tentando disfarçar o que era que perdi o timing das coisas. Namoro, relacionamento, eu penso que são como "doenças infantis", elas tem uma época para acontecer, muitos de nós abdicamos desse período para nos mantermos seguros.

    Assim, até evoluímos sexualmente mas não emocionalmente, não tenho dados para afirmar, mas acredito que isso acaba por nos "impactar" de uma maneira bem forte.

    No mais, no sentido geral, acredito e concordo em muito com seu texto! Você pontuou muitas questões pertinentes e que nos afetam diretamente, principalmente para quem não está dentro do "padrão".

    Realmente você "chegou chegando"!!!

    Abração.

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    1. porra latex, quanto egoísmo :O

      Mas é vdd, a energia que a gente gasta tentando se entender e ficando seguros (sem deixar nossa essencia escapar) pode tirar nossa concentração e assim perdemos o timing mesmo. Os héteros, aqueles egoístas, ficam de namorico enquanto a gente fica ouvindo lady gaga. Digo, tentando se manter vivo.

      Isso pode afetar muito mesmo, e talvez no meu exemplo egoista, quanto mais tempo passamos nos negando a nós mesmos, mais afetados ficamos. Eu não tenho ideia do que seja um relacionamento, pois só tenho experiencias imediatas mesmo. Talvez pq nesses anos de ter as 'doencas infantis', eu não tive, assim como a maioria dos gays. E adiei muito também para ter.
      aiai
      Obrigado pelas palavras, vamos chegando devagarzinho com carinho =)
      um grande abç!

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