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domingo, 22 de novembro de 2015

Notas rápidas

Sobre o novo blog
    Começar um novo blog é um porre, é desesperador, dá muita preguiça. 
    Quando criei "Armário em BH", o processo criativo do título e do personagem ocorreu sem nenhuma obstrução. O título era direto, apelava a um público específico, e o personagem N.B. também. Era eu por mim mesmo, e havia ali uma facilidade enorme de descrever quem eu era e quais eram as circunstâncias da minha vida. 
    Um escritor anônimo e estudante de engenharia que se encontra no armário cria em torno de si uma mística que atiça a imaginação leitores e cria empatia com aqueles que se veem em situações equivalentes, senão nas mesmas situações. 
    Descrever-me hoje é uma tarefa mais difícil. Descrever-me sucintamente é ainda mais difícil, e não sei dizer se isto é uma coisa boa ou ruim. Ao mesmo tempo que sou mais do que três palavras-chave (armário, estudante e engenharia), não consigo achar as palavras que me descrevem, e nem decidir a qual direção apontar para guiar meus temas e textos. Isso pode traduzir um certo crescimento, mas também é paralisante.
    Para contrastar o antes e o depois do armário, a palavra que escolhi para o novo blog foi 'solto'. Ainda não me agrada, tô achando horrível, e pode ser que este seja um título provisório ou eu venha a me acostumar. Para completar, ainda adicionei "em BH" pela continuidade do projeto e pelos planos que tenho.

Sobre locais
    Ainda estou em Nova York, e dedicarei mais tempo e palavras para discutir minhas impressões sobre a capital da diversidade. Por que não, então, escolher um título que fosse 'solto em ny'? 
    Porque estou aqui temporariamente, e se tudo correr bem volto ao Brasil em Junho do ano que vem, pois meu mestrado terminará e por causa de contrato. Com isso em mente, eu ficaria muito satisfeito de morar em BH outra vez, e por isso o título foi escolhido considerando o futuro. 

Sobre fotos e problematizações
    Aquelas belezuras que antes ilustravam o 'armário em bh' não estarão presentes nem lá e nem aqui por dois motivos principais. Primeiramente, um blog "safe for work" é mais apresentável quando não se é um autor anônimo. Nem as políticas do Google e nem a nossa sociedade estão preparados para aceitar o corpo nu como algo natural e banal, e eu ainda pretendo colocar meu rostinho ali no canto em breve, marcando finalmente a transição entre N.B. e Henrique. Seria legal, quem sabe, escrever como se os dois fossem pessoas diferentes, deixando temas polêmicos para o N.B. e temas família para Henrique, para o caso de que, se algum dia eu apresentar este blog para família e amigos, eu possa ter a desculpa de que não fui eu quem escreveu aquilo. Mas eu divago.
    Em segundo lugar, as fotos eram majoritariamente, senão exclusivamente, de modelos gays brancos e padrões, que promovem expectativas irrealistas sobre nossos corpos e incentivam o ódio pela nossa própria imagem, quando uma parcela ínfima da população atende a esses padrões.
    Por outro lado, as fotos são bonitas e apelem ao meu gosto. Como meu processo de desconstrução sobre a imagem de um corpo bonito, tentarei usar menos corpos padrões, e quem sabe fotos de leitores reais? Seria legal ter nossas fotos ilustrando os textos aqui.

Mais detalhes por vir.
Um grande abraço,
Henrique.


16 comentários:

  1. Vai ser bacana voltar a ler seus textos. Pode contar com pelo menos um leitor assíduo :)

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    1. Que delíciaaaaa! Fico feliz de ver nomes familiares por aqui!!!!

      grande abç

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  2. Vai ser maravilhoso voltar a ler seu textos, Eu lia todos os posts do armario em BH, e na época eu também estava no armário, me identificando e vivendo todas aquelas situações. Agora que você voltou, voltou justamente numa fase da minha vida em que eu me aceito, me assumi e até comecei a engatar num namoro, até apresentei pra família. Espero o melhor pra vc nessa nova fase da sua vida, assim como consegui superar os traumas de viver no armário, fico feliz de ver que vc tbm conseguiu e está conseguindo. E seu blog foi parte importantíssima dessa fase da minha vida, mesmo que eu não comentasse, foi um baque muito forte quando vc parou de escrever, foi quase como perder um amigo.

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    1. Haha, também senti como se tivesse perdido algo quando parei de escrever, pq essa interação que rola aqui é muito boa.
      Fico feliz por vc ter dado todos esses passos, até namorando com a benção dos pais! Parece que nossas fases e tempo de desenvolvimento e maturidade estavam sincronizados :P
      Bem vindo de volta!

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  3. Sério, essa foi a melhor notícia do mês. Senti muita falta dos seus textos e cheguei inclusive a mandar um email pra você, kkk (sem resposta). Enfim, estou muito feliz que você decidiu voltar a escrever e que está numa fase totalmente diferente daquela do Armário. (É quase como se fosse o retorno daquela saga que você espera ansiosamente, kkkk).

    Sobre o título do blog eu sinto que você está num momento de transição, de se encontrar e - dando a minha humilde opinião - é algo muito complicado (mas ao mesmo tempo bom) não saber se definir, porque é sinal de que você ainda tem muito a percorrer e a descobrir (algo que eu já notei que você fez nesse período ausente) - só por esse texto. Estou muito curioso pra saber o que você vai dizer nos próximos posts, pra dizer o mínimo.

    Enfim, Acho que posso dizer que crescemos (um pouco) juntos, não é mesmo? Espero que você se lembre de mim.

    Max.

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    1. Ha, me desculpe pelo email sem respostas. Num periodo de hiato nesse último ano acessei minha conta de email pocas vezes, ai emails de spam e de leitores se acumularam e quando fui ver me perdi em montanhas de email!

      E eh vdd, estou ainda procurando me definir em mtos aspectos da vida, é um exercício constante, mas sinto que estou convergindo para a minha melhor versão.

      Eu lembro de vc sim, seu rosto me eh bem familiar =)
      grande abç!

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  4. Que bom ter você de volta!

    Acompanhei a sua trajetória no outro blog e até me arrisquei a tentar escrever algo sobre mim em uma página, inclusive sobre o processo de saída do armário, que se ainda não saí é porque estou me resolvendo internamente para conseguir lidar com fatores estressantes externos e familiares.

    De qualquer forma, é como retomar o contato com um antigo conhecido com quem a gente tem aquelas boas conversas. Espero, quem sabe, se você voltar mesmo para Belo Horizonte, que aconteça de marcar um encontro coletivo para discutir um pouco sobre as transformações de um ano para o outro e o quanto é primordial ter consciência da própria identidade e da transformação que acontece à medida que envelhecemos e temos contato com outras vivências.

    Nova Iorque tem habitado meus sonhos recentemente. Não por ser a cidade da diversidade ou a que nunca dorme, mas por ser um cantinho que abriga e ao mesmo tempo obriga...a tomar decisões necessárias. Como aquela mãe ríspida que quer o melhor de você, sabe, pensando mais nos resultados e não tão interessada nos sacrifícios para alcançá-los. Sei lá, parece que estou me referindo mais à Dona Realidade, né? Sempre há amor em lugares que desconhecemos, sejam concretos ou simbólicos.

    Enfim.
    Quero saber das suas novas experiências e dos seus textos tão bem trabalhados.

    Abração.

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    1. Que bom ter você de volta também!

      Não sei se já conversamos antes, mas caso queira compartilhar essa sua página com a gente, sinta-se a vontade! Coisa muito valiosa pra mim foi o input das pessoas que comentam aqui, me ajudaram bastante sobre esse processo de resolvimento interno que vc passa agora.

      Essa ideia de encontro coletivo é muito boa, rolou uma vez há alguns anos, e inclusive tenho melhores amigos que fiz a partir daqui, que hoje se encontram lá em BH. Se tudo correr bem e essa comunidade crescer, podemos criar grupos de apoio, ONGs, festas, mesas redondas de discussão, mobilização ativista, ações filantrópicas e muitas outras coisas legais! Textos e exposição de ideias aqui são só o começo :)

      E sim, sua percepção sobre NYC está bem preicsa, e é daquele tipo de cidade que faz a sua casca ficar dura. A cidade te bate constantemente até o ponto de vc ficar emocionalmente frágil, daí vc aprende as regras que não são faladas, mas seguidas, sobre a vida. Sendo bem generalista, a cidade make or break you.

      Enfim, fico feliz pelo seu interesse no blog e pelo elogio sobre os textos! Espero atender às expectativas =)
      grande abç!

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    2. Não chegamos a conversar, só deixei comentários em algumas postagens antigas; isso de ler outras pessoas é interessante porque aproxima e dá a sensação de partilha e troca. O bacana daqui é justamente essa interação entre autor e leitores. Meu blog não passou de tentativas adolescentes com um número imenso de rascunhos e duas ou três publicações; acontece, não fluiu - tanto que este acabou se tornando o tema central antes da desistência: mergulhandosaches.blogspot.com.br

      Pode parecer maluquice, mas Nova Iorque tem representado para mim este lado mais ativo e agressivo de uma personalidade que é oposta a outra mais passiva e compreensiva frente a situações nas quais é necessário defender a sua identidade, talvez bem nesse sentido de compreender as regras que não são faladas para começar a elaborar estratégias e se estabilizar nesse jogo da vida. Sei lá, algo como uma agente de transformação ao exigir coragem e cobrar atitudes. Hahahaha, ok que tudo remete ao armário, mas a dimensão dos resultados é maior.

      Que seja, então, o começo de um período de várias coisas legais. Tenho certeza que será bem produtivo. Estarei acompanhando. ^_^

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    3. Ha, eu tinha aberto seu blog por email no dia em que você comentou mas não tive tempo para ler antes que ele fosse fechado a leitores convidados.

      Acho que entendo o que você quer dizer sobre o que nyc representa pra vc. O que influencia muito em vários aspectos da cidade é a sensação de mega sociedade e anonimato.
      Poucas pessoas nascem aqui: entre 30 e 40% da população da cidade nasceu fora do pais, fora os que migram de outras partes dos EUA. É realmente raro encontrar gente que é mesmo de nyc, e uma das consequencias pode ser que as pessoas se sintam mais livres para viverem da forma que quiserem, sem as forças coercitivas que familia e amigos podem exercer. Porém isso também pode pesar negativamente quando o sentimento de comunidade é muito fraco, o que explica em parte a casca grossa de muita gente aqui. enfim!

      tb espero ser um periodo produtivo.
      e ps: compartilhamos o mesmo sobrenome?
      abç!

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  5. Agora só falta voltar com o grupo.

    Att. O cronista ;)

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    1. Vdd senhor cronista, é uma coisa a se considerar.
      Pensava que a demanda pelo grupo seria bem diminuida, porque hoje existem tantos outros grupos para gays com tantos milhares de passoas em cada. Vc não tem essa impressão tb?

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  6. Confesso que quando eu era só "um Latinha", eu me sentia mais livre para escrever, o tempo fez com que laços fossem estreitados e lá se foi embora o anonimato que como Vanessa Redgrave falou uma vez em um filme, "é como um cobertor quentinho".

    Por outro lado, acho que essa exposição mostra um amadurecimento, uma força maior!

    Acho que o tempo vai mostrar como as coisas vão ser por aqui... mas com certeza tenho certeza serão muito boas e legais como sempre foram!

    Abração.

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    1. Vdd Latinha, é complicado. Eu me sentiria mto mais livro de escrever como anônimo. Tem coisa que eu escrevo que eu morreria de vergonha se alguém da minha família lesse, e como tem gente atoa no mundo que pode is buscar eles só por diversão e mostrar meu blog, eu ainda tô sendo cauteloso pra me export.
      Quero achar um ponto de equilibrio, de forma que eu me exponha mas também tenha um certo controle da minha exposicao.
      abç!

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