Google+

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sobre um papel de trouxa, autodestruição, saída do armário e propósitos

Um texto sobre como minha vida de armário foi marcada por fugas,
sobre minha falta de entusiasmo com a vida 
e sobre como uma desilusão amorosa e estar no fundo do poço 
me incentivaram a sair do armário para minha família.

"Quando você perde o senso de fé, o senso de propósito maior, o senso de objetivo a ser alcançado, tudo começa a se tornar insignificante. A cada dia descobrimos que somos menores do que pensamos no dia anterior. Quando não há mais maneiras de imaginar um futuro de relevância existencial, só resta um calmante forte o suficiente: a autodestruição. Festas que nunca acabam, bebida, cigarros, cocaína, rachas de madrugada, brigas na rua. Cada uma dessas ações pode matar uma parte do indivíduo, porém, mesmo assim, é aliviante por um simples motivo: se eu estou destruindo algo, é porque algo ainda me resta. Cada um escolhe a melhor forma de fazer isso consigo mesmo, geralmente adotando um padrão de comportamento referente a algum tipo de trauma. A questão não é chamar atenção, mas simplesmente querer sentir algo." [Texto completo]

    A minha vida foi uma constante fuga.
    A primeira vez que eu fugi foi aos 14 anos, quando meu professor de educação física me convidou para fazer parte do time de vôlei da escola com os meninos do ensino médio, que eram um ou dois anos mais velhos que eu. Esse time disputaria um campeonato de esportes da cidade.
    Nos treinos eu não estava entre os melhores, mas me destacava por ser mais novo. Porém, no dia torneiro eu fui consumido por uma ansiedade gigantesca e pedi ao professor para me cortar do time, pois eu estava com medo de jogar.
    Uma outra fuga está relacionada com as dez horas por dia que eu passava estudando durante o ensino médio. Parece que isso era tanto uma fuga quanto uma preparação para outra fuga maior. Minha dedicação exagerada aos estudos funcionava como um subterfúgio para negar meu interesse em mulheres a mim mesmo e às pessoas próximas a mim, pois este interesse deveria estar se desenvolvendo naquela época. Talvez isso era uma desculpa para evitar, por exemplo, festas que pudessem me colocar numa situação em que eu me sentisse pressionado a interagir com uma menina. A fuga maior seria sair do interior, mudar para BH e fazer faculdade. Finalmente, a fuga mais recente foi para os EUA.
    Ou talvez minha vida não foi marcada por fugas. Talvez eu só era um jovem com poucas habilidades sociais e as circunstâncias me levaram a alguns lugares e a tomar certas decisões. Por eu estar no armário naqueles períodos, eu teria uma tendência a perceber estes acontecimentos como uma fuga, como se representassem uma busca por uma vida em um lugar melhor. Isso pode ou não ser verdade.
    Quando comecei a escrever esse texto há alguns minutos (ou horas), essa ideia de fuga estava solidificada na cabeça. É engraçado começar a escrever um texto com uma percepção de si e, no parágrafo seguinte, já não conseguir sustentar a conclusão que eu tinha sobre minha própria vida. Venho percebendo que não existem verdades comigo, e toda percepção e toda conclusão podem ser questionadas. Não existem sim ou não, mas apenas talvez.
    Se por um lado rejeitar uma posição engessada pode evitar conclusões e decisões precipitadas, apoiar-se no talvez pode causar paralisia. A ideia de fuga era aceitável para mim pois, insatisfeito com meu ambiente e com a minha situação, eu estaria sempre em busca de algum lugar em que eu pudesse me sentir em paz, mas eu não percebia que, na verdade, eu estava fugindo de mim mesmo. Vem comigo nessa explicação.
    
    Neste ano, eu passei 19 dias em Junho no Brasil, dos quais 6 foram em BH. Talvez, muito talvez, subconscientemente, um dos motivos de eu ter ido para o Brasil pode ter sido um súbito interesse por um novinho de BH. Interessante mesmo é perceber como as pessoas que me interessam tem apresentado algum tipo de impedimento: ou são héteros, ou há distância. Os meus relacionamentos possíveis, do dia a dia, nunca me causaram interesse a ponto de mexer comigo, e assim eu vou me sabotando.
    Sobre o novinho, o achei bonito desde o dia em que o conheci. Ele foi quem me substituiu na minha república quando eu saí, portanto meu contato real com ele se limitou a uma entrevista de apresentação e mais dois outros dias antes de eu vir para os EUA. Não mantivemos contato significante até recentemente, quando eu já estava fora do Brasil e então, ele entrou na minha cabeça.
    Ele é gay, o que é uma imensa vantagem, porém uma puta, literalmente, mas sem conotação negativa. Uma das coisas que nos aproximou foi a possibilidade de compartilhar nossas aventuras sexuais numa troca livre de julgamentos.
    O novinho é um doce de pessoa. Ele usa seu corpo, grande e macio, para te envolver num abraço bem abraçado e longo. Ele te toca quando fala, ele pega nos seus ombros e aperta como se estivesse fazendo massagem. Ele segura decididamente no seu braço e peito para comentar "como você está malhado!". Ele senta sobre suas pernas quando você está deitado e repousa sua cabeça no seu colo para dizer que está carente, enquanto você faz cafuné. Ele é desses.
    De qualquer forma, minhas investidas por ele falharam terrivelmente, mas mesmo assim não consegui tirá-lo da cabeça. Como a filósofa contemporânea Selena Gomez diz, "the heart wants what it wants".
    
    Ele havia me rejeitado mesmo antes de eu ir para o Brasil em Junho. Dizia que me considerava como um bom amigo, mas enquanto estive em BH todas essas demonstrações de afeto me deixaram extremamente confuso e minhas esperanças foram revividas, pois não estou acostumado a contatos corporais sem compromisso. No meio da minha estadia em BH, um amigo que conhece bem o novinho e a mim me abriu os olhos e me fez perceber que o interesse realmente não era recíproco, e que eu estava querendo ver coisas que não existiam, matando novamente minhas esperanças. O timing não poderia ter sido pior, pois estávamos a caminho de uma balada quando ele me abriu os olhos.
    Não contendo a montanha russa de sentimentos dentro de mim, me acabei em lágrimas na praça da Savassi numa noite de sexta, sem me importar com quem estivesse passando, e sendo confortado pelo mesmo amigo que acabara com minhas esperanças. Nunca chorei tanto em minha vida na frente de alguém depois de adulto, e pior: em público. Foram 30 minutos? Duas horas? Não tenho ideia, pois nós perdemos bastante o senso de tempo quando estamos bêbados. Considero até a possibilidade de haver fotos minhas circulando na web com o título de "o louco chorão da savassi".
    Naqueles momentos de colapso emocional pré-balada, pude verbalizar minhas angústias e perceber que alguns comportamentos comuns em minha vida tornaram-se pronunciados durante minha estadia no Brasil, a saber sexo e álcool.
    Minha relação com álcool é motivada pela fuga do vazio existencial e da falta de propósito na vida, com efeitos negativos sobre meu corpo. Tenho histórico de dois dentes quebrados em duas situações diferentes, unhas dos dedões dos pés destruídas e um acidente com cerca elétrica que poderia ter me custado a vida. É uma relação destrutiva por motivos óbvios. O problema com a impessoaldade no sexo é que isso traz solidão e pode, eventualmente, trazer problemas de saúde, uma vez que não existe 100% de proteção. “...se eu estou destruindo algo, é porque algo ainda me resta.”

     Uma pessoa que está em paz consigo mesma e que se ama não atenta contra a sua integridade física e mental e, depois de BH, voltando para a casa dos meus pais onde eu passaria os últimos dias antes de retornar aos EUA, eu decidi que precisava de uma mudança drástica na minha vida, que pudesse me ajudar a parar de ter comportamentos autodestrutivos e começar uma rotina positiva.
    Quatro dias depois de ter deixado BH derrotado, eu finalmente contei à minha mãe e irmã sobre a minha sexualidade. Numa semana em que eu estava emocionalmente frágil, tanto por ter visto minhas esperanças com o novinho destruídas, quanto por se aproximar a minha despedida do Brasil, minha mãe percebeu e começou a me questionar. Dentre todos os cenários que se passaram na minha cabeça, eu sempre me imaginei contando como se fosse uma coisa banal, com a voz tranquila, com o controle da situação e sem mais dramas. Não tendo me recuperado do colapso emocional recente, sempre que eu ensaiava começar a contar e tomava fôlego para iniciar uma frase, a angústia entupia minha garganta e nada saía, e eu me retirava do cômodo para chorar em silêncio. Isso se repetiu duas ou três vezes.
    Eu havia planejado passar em BH a última sexta feira em que estaria no Brasil, e percebi que minha mãe não havia gostado muito da minha decisão. Quando chegou sexta-feira, antes de eu ir para BH novamente, durante o almoço junto a minha mãe e irmã, minha mãe insinuou que eu preferia gastar meus últimos dias em BH com amigos ao invés de ficar com a família. Eu voltaria para os EUA no domingo.
    No meu estado frágil, fiz um esforço para me conter mas comecei a chorar na mesa, aquele choro silencioso, quando só escorrem lágrimas mas que não te deixa falar. Expor sua fragilidade emocional é meio caminho andado, e dali eu já sabia que teria que justificar o meu choro. Quando eu perguntei à minha mãe por que que ela achava que eu gostava tanto de BH, ela respondeu com o fato de eu ter morado lá por muitos anos, amigos, etc. Quando ela terminou a resposta eu acrescentei:

_Sim, mãe, mas também porque eu sou gay!

    Naqueles poucos segundos de silêncio em que ela tentava fazer sentido do que eu havia acabado de dizer, eu observei atentamente a sua reação. Seus olhos se arregalaram, sua boca se abriu em espanto e depois se fechou e se curvou para baixo, e pela minha cabeça se passou apenas a surpresa de pensar que ela não sabia. Subitamente, o silêncio foi interrompido por minha irmã que gritou "Ha! Eu sabia!!!".
    A partir daí, minha mãe começou a fazer perguntas constrangedoras, numa tentativa de achar algum culpado, como se homossexualidade precisasse de explicação. Foram elas:
_Mas você tem certeza?
_Mas você já esteve com uma mulher?
_Mas você foi molestado?
_Mas isso é por que seu pai é ausente?
    Num grande esforço para me recompor, respondi às perguntas e tentei iniciar a desconstrução dos preconceitos que as geraram.
_Sim, mãe, certeza desde muito novo!
_Não mãe, mas e você, já esteve com uma mulher?
_Não, mãe, eu não fui molestado!
_Não, mãe, lembra aquele meu amiguinho de infância sem pai? Ele cresceu e é hétero.
    Depois das perguntas, fui surpreendido por um discurso muito acolhedor, quando ela disse que ela continuaria me amando do jeito que eu sou. Perguntei se ela não desconfiava, e ela respondeu "às vezes... você nunca falava de mulher e nunca vi você com nenhuma. Eu pensava que você era só uma pessoa reservada, mas fora isso, nada".
    É bem engraçado como imaginamos diversos cenários e discursos sobre esses momentos, e quando eles realmente acontecem, fogem totalmente do script. Sempre imaginei que o drama maior não viria de mim, e sim dela, porém a realidade inverteu os papéis. Eu fui muito mais dramático do que as duas juntas, e eu não me vi agindo assim em nenhum dos milhões de cenários em que me imaginei contando.
    Talvez isso possa ser um divisor de águas na minha vida, quando minhas vidas se encontram e não existe mais armário para separá-las. Talvez isso possa ter algum efeito na minha constante fuga, ou possa ter algum impacto sobre como eu lido com sexo e sentimentos. Talvez isso me ajude a reduzir meus atos autodestrutivos.

    Ao mesmo tempo, ainda estou esperando sentir aquela sensação de alívio que tantos falam, de ter tirado um peso dos ombros. Apesar de eu ainda não ter tido tempo de entender como isso poderá afetar minha relação com minha mãe, tenho medo de estar tão mergulhado em indiferença que eu já não consiga me sentir entusiasmado com nada.
    Prefiro pensar que esta falta de entusiasmo seja uma parte comum na vida de todos, e parte de se tornar adulto. No fundo no fundo, todos somos miseráveis, mas alguns sabem lidar melhor com isso mantendo seus corpos em movimento e cabeças ocupadas o tempo todo, ou nao se questionando para não caírem num poço infinito de desespero. Também imagino que aquela dificuldade em definir as coisas na minha vida como 'sim' ou 'não', e tudo em 'talvez', possa ser uma das causas da minha falta de entusiasmo para a vida. Se tudo for definido por ‘talvez’, não existem verdades e persegui-las será uma perda de tempo.
    Não que eu não consiga sentir nada, pois angústia e ansiedade são companhias constantes, mas quero sentir sentimentos bons também. Talvez eu só esteja lidando com uma depressão, mas quem não lida? Talvez eu só precise de um terapeuta, mas no momento isso é um luxo. Aqueles dias em que passei no Brasil foram um turbilhão de emoções, e dali percebo que tenho que parar com meus comportamentos autodestrutivos e evitar emoções negativas. O novinho foi a 1a pessoa que conseguiu me afetar em anos (mais de meia década), e mesmo que tivesse rolado alguma coisa, ainda haveria o impeditivo da distância que também me causaria destruição. Sexo e álcool deverão ser controlados, e a minha busca por propósito, paz e realização estão intrinsecamente relacionadas ao que eu crio e cultivo, pois se eu estou criando, através do meu trabalho e da minha imaginação, eu estou existindo fora de mim. Tenho que passar a ter menos comportamentos destrutivos e mais comportamentos construtivos, e isso vale para produção física, artística e relações humanas, assim como ações construtivas sobre meu corpo e mente. O meu ambiente e as pessoas ao meu redor têm de ser constantemente beneficiados pela minha construção, e assim eu sinto propósito na minha existência. Talvez eu me sinta indiferente com recentes acontecimentos porque eu ainda não consegui criar nada a partir deles, e sem entusiasmo com a vida porque sinto que não estou criando nada para o mundo. 
    Alguns dos motivos apresentados por pesquisas para justificar o aumento da taxa de suicídio de homens americanos é uma recente quebra dos três pilares que sustentaram a tradicionalidade dessa sociedade: Deus, família e trabalho. Dedicar-se a esses três pilares pode dar propósito às pessoas, pois em Deus você existe além do seu corpo e além da vida terrânea, no trabalho seu pensamento é materializado e existe fora da sua cabeça, e na família (com filhos, principalmente) você existe em outros. Em contraste, eu não cultivo nenhum desses pilares, o que pode me afetar negativamente. Meu trabalho não me dá propósito, eu nego a existência de Deus, minhas ações e filosofias não me levam à construção de uma família e meus sexos não são relações frutíferas. Se a felicidade está condicionada à prática de ações frutíferas, sair do armário não me foi suficiente. Pelo menos por enquanto.

    De qualquer forma, aqui está uma criação me dando propósito.

Finalmente, para os senhores:
1 - Vocês também apresentam ou já apresentaram comportamentos autodestrutivos?
2 – Como foi a história de quando vocês contaram para suas famílias? Vocês foram tão dramáticos quanto eu fui? Vocês sentiram a sensação de alívio? Como foi a reação deles?
3 – O que te dá propósito e quais as suas ações frutíferas?
Um grande abraço.
H.B.

22 comentários:

  1. 1 - Vocês também apresentam ou já apresentaram comportamentos autodestrutivos?
    Sim, estou mergulhado neles, creio.
    2 – Como foi a história de quando vocês contaram para suas famílias? Vocês foram tão dramáticos quanto eu fui? Vocês sentiram a sensação de alívio? Como foi a reação deles?
    Falei por telefone, a distancia me impediu de falar ao vivo e a cores. Também fiz drama, quase não falei, mas falei. Minha mãe não se emocionou, tentou me compreender. E aparentemente não acreditou muito nas minhas palavras. Eu também não dou nenhum sinal de homossexualidade...
    3 – O que te dá propósito e quais as suas ações frutíferas?
    A parte as várias iniciativas para começar academia, e começar a ler livros, e o altruísmo que tive que conter, nada.

    PS: não, não há fotos do chorão da Savassi.
    Um abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. hmmmm triste saber que vc ta mergulhado em coisas ruins =( mas 2016 será o ano em que daremos a volta por cima! Vem comigo

      Vamos começar a rotina positiva de academia, livros e praticar altruismo que faz bem pra "alma", por falta de palavra mais adequada.
      Um amigo que le o blog viu que eu tava louco da vida e me recomendou um livro que chama 'the velvet rage: overcoming the pain of growing up gay in a striaght man's world" e to me lendo no livro. É auto ajuda, me aponta mtas verdades duras, mas to amando e descobrindo mtas possiveis causas dos vicios comportamentais. Se tiveres animo e vontade, leiais tu também.

      PS: obrigado pela info, nao estava preparado para virar mene
      01 abç

      Excluir
    2. Yes, bora lá
      Consegui entrar em 2016 com o pé direito ao terminar de ler o livro que comprei e janeiro de 2015 :)
      "Fechei um ciclo"; "sou foda", "vai estudar, vaga"

      Excluir
  2. Cara, amei seu texto. Você não tem ideia de como disse tantas coisas que eu ainda não digeri tão bem quanto minha mania de autodestruição e autosabotagem quase contínua, sua situação amorosa (que é um tanto parecida com a que também vivenciei esses tempos) etc.
    1 - Sim. De tempos em tempos, espero ter aprendido a lidar (tenho medo de ter aprendido a gostar desse tipo de subterfúgio que a autodestruição me dá, é loucura, eu sei).
    2 - Não. Ainda não sai do armário e nem tenho pressa ou me sinto preparado.
    3 - Acho que as pessoas à minha volta, as coisas que eu faço, os planos que tenho.

    Obrigado por expor muita coisa que me estava entalada. abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fico feliz que tenha se identificado com o texto! Ou nem tão feliz neh, porque se vc se identificou é pq as coisas não tão 100% emocionalmente pra vc :p Espero que possamos melhorar!

      Tome seu tempo para sair do armário, e nesse periodo encha-se de amor próprio, amor alheio e auto confiança!

      Abç!

      Excluir
  3. Não acredito na existência de um propósito à vida.cria-se o propósito a medida que se vive, a despeito de toda pressão que nos circunda, a vida é nossa é cabe a nós vivenciar algo que nos satisfaça. Claro, é uma abstração somos condicionados em diversos aspectos, mas entre tácticas imposições cabe a nós nosso contentamento em constantes revisões do que nos perturba, do que gostamos e para onde vamos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Faz muito sentido.
      Sobre propósito existencial, fundamentalmente, eu também não acredito em um para a vida. Creio que só estamos aqui e vivos por uma série de coincidências que culminaram na criação de um arranjo de células cientes de si, sem propósito, por causas obscuras.
      Sobre propósito como ações que nos tragam satisfação, que sirvam de distração do nosso tédio existencial durante nossa passagem pela terra, concordo que devemos investigar o que nos é melhor ajustado. Mas é difícil *_*
      Nosso tempo é finito e experimentar atividades procurando a que nos dá (mais) satisfação é dispendioso. Quem me dera um manual para a vida, de preferência com passo a passo, video tutorial e atendimento ao consumidor.
      Ou esperar menos da existência. Talvez aceitar a ideia de que "a vida é só isso" pode trazer conforto também.
      Já não sei onde quero chegar com esse comentário, por isso terminá-lo-ei.
      01 abç

      Excluir
  4. Seus textos são muito bons :P

    1 - Vocês também apresentam ou já apresentaram comportamentos autodestrutivos?
    R: Não, por incrível que pareça. Apesar de já ter tido vários motivos pra isso, é algo que nunca tive tendência a fazer, me considero uma pessoa de auto estima inabalável. Minto, às vezes fico um pouco pra baixo, mas nada que me faça ter desejos autodestrutivos.

    2 – Como foi a história de quando vocês contaram para suas famílias? Vocês foram tão dramáticos quanto eu fui? Vocês sentiram a sensação de alívio? Como foi a reação deles?
    R: Minha saída do armário foi bem parecida com a sua, no caso com minha mãe. Fui eu quem fiz drama, já tinha imaginado 1001 situações para o momento, mas foi bem diferente. Fiquei com essa mesma sensação de "cadê a sensação de alívio?". No fim das contas não mudou muito, eu não tenho coragem de falar sobre esse lado com meus pais, é algo que continua "nas sombras" até porque minha mãe não aceitou muito bem. A única vez que senti um pouco desse alívio foi quando me toquei que agora poderia colocar uma foto de rosto inteiro nos aplicativos rs.

    3 – O que te dá propósito e quais as suas ações frutíferas?
    R: Interessante essa abordagem sobre os pilares. Atualmente eu me encontro motivado pelo trabalho, talvez seja o pilar que mais está sustentando agora. Eu costumo pensar em filhos, realmente gostaria de ter, porém só irei pensar seriamente nisso quando estiver em uma situação financeira adequada, e também quem sabe quando tiver um companheiro - a ideia de casamento ainda é bem distante pra mim. Eu também não tenho religião, e nunca senti nenhum vazio por isso, e pretendo continuar assim. Meu maior propósito atualmente é ser bem sucedido financeiramente, talvez depois de alcançar isso (se alcançar hehe) terei uma mudança radical na minha vida, mas até lá estou tranquilo.


    Bem, é isso. Finalmente criei coragem pra comentar em um texto. Tentarei comentar mais :p

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Moço, mas como precisa de coragem pra comentar? Se for tempo eu até entendo, mas coragem é a 1a vez :P

      Fico feliz que vc não tenha comportamentos destrutivos! Como é seu relacionamento com seu pai, numa nota de 0 a 10?

      Pena sua mãe não ter aceitado 200%, porém use e abuse dessa liberdade nos apps agora! Coisa que percebi também é que depois que contei, minha mãe não perguntou mais nada sobre esse assunto, e eu também não falo (tanto pq não tenho nada pra falar, neh. imagina "mãe, ontem sai comum boy que conheci no grindr porém não vou mais ve-lo"). Parece que esse assunto ta nas sobras comigo também.

      01 abç!

      Excluir
  5. Em primeiro lugar, parabéns pelo seu texto. Eu me formo este ano em jornalismo e gostaria de ter o seu talento e coragem.

    Sobre o comportamento negativo, sim, eu o tenho e ele está atrelado à fuga, eu durmo muito rs. Sempre que estou de férias eu troco o dia pela noite, assim, evitando o contato com minha família e os possíveis questionamentos.

    Quando eu conheci seu blog eu estava um dia horrível, digitei algo no Google e encontrei seus textos e principalmente, encontrei representatividade!
    Ver um jovem com idade semelhante com problemas tão familiares me fez entender melhor minha situação. Não era alguém de fora, um médico, um ativista, era alguém com as mesmas angústias. Acho que,talvez, você não tem noção da importância do seu trabalho.

    Hoje eu me questiono muito sobre o que me da propósito, também não sei responder, mas concordo com você, plenamente, que essa busca é importante. Ao contrário de você, eu sou espírita, e por isso acredito que o homem não pode ser medíocre, já que é a imagem de Deus se ele for medíocre significa que Deus também é.

    Se a rejeição desse rapaz te fez chorar tanto, significa que ele despertou algo em você, mas, principalmente: você projetou algo nele. O que será?

    Sua jornada não é solitária, seus questionamentos não são exclusivos e você não está sozinho e, graças a você, nós também não.

    Feliz Ano Novo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pelos parabéns!

      Moço, também durmo muito. Tô dormindo umas 10 horas por dia ou mais esses dias, pq é melhor dormir do que chorar o tempo todo, non é non?

      Brinks. E falando sério agora, olha isso. Dormir muito é um sinal de adolescência ou depressão. Suponho q vc já nao seja adolescente, então...

      Falando em espirita, essa ideia de que a felicidade vem de ações frutiferas vem de uma filosofia budista, se não me falha a memoria. Pelo menos o texto que eu li relacionava a ideia com o budismo, afinal é uma ideia tão geral que pode ser associada com qualquer filosofia. Enfim.

      Siiiiiiim, esse novinho me fez reviver sentimentos que eu só sinto 01 vez por década. E também projetei mta coisa nele, pq neh, a maior parte do que eu conheci dele foi quando eu ja estava nos eua. Ou seje. Fiz milhoes de idealizações, planos com casamento e cachorro, tudo sem ele saber. Foi um movimento tão juvenil que é uma vergonha pra mim olhar pra tras e ver como fui trouxa.

      Fico feliz por vc trazer companhia pra minha/nossa jornada!!

      Feliz ano novo tb =)
      01 abç

      Excluir
    2. Oi,
      desculpa me intrometer na vossa conversação, mas só pra falar que ao estudar o espiritismo, percebi que ajudar outras pessoas é uma forma de buscar o seu eu interior, algo como aprender com o erro dos outros. Mas também tem essa parte budista da felicidade em se fazer o bem, o amor ao próximo idealizado por Jesus (não consigo não pensar na Inês).

      E sobre projetar coisas nas pessoas, ao dizer juvenil você pretende dizer frágil? Pois que é assim que vejo em mim. E por ser uma fragilidade, eu criei repulsa. O que faz que não projeto mais nada em ninguém, máximo uma foda rápida e passageira (porquê não durará, logo não projeto). Porém não acho que foste trouxa, só buscaste o amor (com outrem). Creio. Ou quero crer.

      Excluir
    3. Eu não entendo de espiritismo nem de Jesus, mas posso acrescentar que satanistas gostam de ajudar os outros tb >;F

      Juvenil no sentido literal da palavra mesmo, e nesse caso com conotação negativa. No desespero para achar amor, eu vi algo que não existia e insisti naquilo. Ele é bem diferente do meu marido ideal, e fui levado por um rostinho bonito. aiai

      Excluir
  6. PARTE 1

    Tentei não fazer textão e reduzi o máximo que pude. Ainda assim não coube e vou dividir hehehe.

    Fico realmente feliz que você tenha voltado a escrever, mas principalmente por ter amadurecido tanto. Achei lindo o que acabei de ler e senti vontade de deixar meu textão aqui.
    1 - Vocês também apresentam ou já apresentaram comportamentos autodestrutivos?
    SIM, e fiz isso sem perceber. Do fim do meu ensino médio à metade da faculdade fui moldando minha personalidade para ser uma pessoa extremamente dedicada ao estudo e a lidar com problemas dos amigos. Basicamente uma pessoa que vive pra estudar e pra ajudar a vida dos outros. Enquanto eu pensava que agia como uma pessoa boa, cheio das minhas certezas, cada vez mais eu reduzia minha vida, meus prazeres, minhas atividades, em nome dos outros (inclua-se aqui a opinião alheia). Cheguei a um ponto de não lembrar que tipo de música eu gostava de ouvir ou que atividade eu gostava de fazer porque meu tempo era gasto apenas nisso: estudar e fazer algumas coisas pelos outros. Minha saúde física já era muito desgastada, mas, depois de eu assumir algumas responsabilidades onde estudo, com o aumento de tarefas a cumprir, passei a conseguir me dedicar menos ao estudo propriamente dito e ver pouco sentido ao que me dedicava. Já voltava pouco tempo para meu preparo dentro do curso, e quando o fazia, era de modo cada vez mais desmotivado. Desmotivação e falta de tempo me trouxeram putas crises de ansiedade e chegou num ponto que não conseguia fazer mais nada que exigisse muita atenção (inclusive estudar) e quase reprovei em 2 disciplinas. Minha saúde física já era negligenciada, porque nem a ela me dedicava, e a saúde mental começou a sair do lugar. Mal percebia eu que a emocional também estava toda corroída, embora eu não soubesse enxergar isso, de tanto evitar trazer o assunto a tona na minha vida. 2015 foi o ano de tudo desmoronar hahaha. Não vou parar de trabalhar também para os outros (queria poder explicar isso melhor aqui...), muito menos de tentar progredir no meu (desestimulante) curso, mas, sim, tenho que ter cuidado pra recuperar o estrago que tantos autoboicotes me fizeram. Consegui terapia (gratuita e ótima) e acupuntura ( a segunda mais pra ansiedade) e recomendo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. 2 – Como foi a história de quando vocês contaram para suas famílias? Vocês foram tão dramáticos quanto eu fui? Vocês sentiram a sensação de alívio? Como foi a reação deles?
      Contei para pai e mãe. Só. Os outros familiares que descubram com o tempo, não sinto necessidade de dizer a eles. Caso haja perguntas futuras, não penso em mentir sobre minha condição. Reuni meu pai e minha mãe comigo dentro de um carro. Perigoso, sim, mas era o único lugar em que estariam só nós três e nenhum de nós poderia sair no meio da conversa. Fiz um discurso um pouco dramático sobre a hora de contar e disse (coisas como "sei que vcs esperam muito que eu apresente uma namorada a vocês algum dia, mas isso ão vai acontecer"). Acrescentei que isso não me mudaria, meu caráter e meu amor por eles continuaria igual. Falei muito da confiança que sentia nos dois (menti). Nenhum dos dois esperava, também para a minha surpresa, Henrique. Minha mãe fez as mesmas perguntas que a sua. As mesmas. Minhas respostas também foram iguais (menos a parte do pai, que é presente). Depois disso, ela foi muito receptiva e disse que ficou até um pouco chateada de eu só contar isso aos 21 anos. Abracei minha mãe por trás do banco do carona e chorei muito, como há bastante tempo não chorava. De soluçar. Talvez por uma hora. Meu pai não disse absolutamente nada pelas próximas 24h (talvez um pouco mais). Só reparei como os braços dele ficaram rígidos no volante a como ele encarava o vazio. Só comecei a me relacionar com homens depois disso (não me perguntem como aguentei, ficou tudo muito bem escondido em algum lugar aqui dentro). Meu pai soube quando comecei a sair com um carinha. E começou a tratar isso com mais naturalidade (e um pouco de trava, ainda). Não sei quem mais na minha família sabe (meu irmão deve saber, mas ainda não tive coragem de tirar o elefante da sala com ele). Também não me importo com as reações dos demais. Minha relação com meus pais melhorou depois disso, apesar de nunca ter sido ruim. A sensação de alívio veio aos poucos. Também não senti alívio no dia, apesar de ter chorado horrores e minha mãe ter feito um discurso maravilhoso.

      3 – O que te dá propósito e quais as suas ações frutíferas?

      Como disse em resposta à pergunta 1, não sei. Cheguei num ponto que o que me dava propósito, de certa forma, me destruiu, me fez desmoronar em pleno final de semestre.Ainda estou a procura do que dentro da minha área de formação pode me estimular e o que mais posso fazer pra sentir que minha ações têm sentido. Só sei que não consigo mais ser a mesma pessoa. Alguma coisa aqui dentro de mim mudou radicalmente para eu ter os mesmos comportamentos. Tenho descobertos gostos, sentimentos (bons e ruins) que não sabia que estavam por aqui e fiquei impressionado de notar como não me conhecia, sendo que me considerava tão seguro de mim e do que queria/deveria fazer. Vivi metade da graduação com certezas e vou entrar na segunda parte dela tão cheio de dúvidas que não sei por onde começar. Não sei. Mas decidi arriscar cuidando do meu corpo, da minha sanidade. Acho que é um bom começo. Tinha muita informação pra colocar aqui e reduzi bastante coisa hahaha. Espero que não deixado de ser claro. Abraço a todos.

      Excluir
    2. Olá senhor anônimo!
      Gosto de comentários como gosto dos meus homens: grandes e em fonte cambria preta com 16px. Portanto, não te preocupais com o tamanho pois adoro detalhes!

      Eu não conseguirei me relacionar com o seu comportamento pois me julgo muito egoísta. Imagino que tratar a vida e problema dos outros antes dos teus próprios, a ponto de não saber que músicas vc gosta (que horror), não deve ser legal mesmo. Mas eu consigo me relacionar com a falta de motivação no curso. A partir da metade eu reprovei em 7!!! (sete!!!!) disciplinas. Meu 1o semestre foi exemplar, a partir dele foi uma tragédia seguida da outra, pois hoje considero que a engenharia não me trouxe realização, porque fazer esse curso não era eu sendo autêntico, mas uma forma de lidar com a vergonha de ser gay, de tenta esconder e de tentar compensar o meu defeito. Em 2015 eu também desmonorei, temos isso em comum. Quantos anos tens? To vendo uma tendencia que essa crise de identidade/significado acontece aos 25, + ou - 1 ano de margem, mas vc deve ser mais novo.

      Fico feliz que vc tenha tido uma reação boa dos dois! Por vc ter contado pro seu pai também e ter apresentado um boy, vou adivinhar duas coisas sobre vc: 1 - seu pai eh presente emocionalmente na sua vida e 2 - vc não faz sexo anonimo casual (vc ter dito que só ficou com homem depois dos 21 tb eh uma boa dica). Mas é outra tendencia que to vendo: gays com um pai emocionalmente proximo tem relacionamentos mais saudaveis.

      Espero que você encontre coisas pra te dar motivação! Também to procurando por aqui, mas já to considerando procurar fora da minha área. E espero que se encontre tb! =) um abç

      PS: achei engraçado ler meu nome como vocativo no meio do comentário haha

      Excluir
    3. 01 adendo:
      "Tenho descobertos gostos, sentimentos (bons e ruins) que não sabia que estavam por aqui e fiquei impressionado de notar como não me conhecia, sendo que me considerava tão seguro de mim e do que queria/deveria fazer."

      Acabei de ler um livro que aponta essa crise de identidade em certo ponto da vida do homem gay. Diz ele que, por nós termos masterizado a arte de esconder quem realmente somos desde pequenos, nós aprendemos desde cedo a ser quem os outros esperam que sejamos, e não nosso verdadeiro eu. É um mecanismo de defesa, mas que em certo ponto entra em colapso por não nos trazer satisfação com a vida, e ficamos surpresos quando descobrimos que não sabemos quem somos. A busca por contentamento e realização passa por esse descobrimento do nosso verdadeiro eu. (o livro eh auto ajuda)

      Excluir
    4. De volta, depois de um tempo. É uma alegria sincera voltar a ler seus textos, Henrique. Respondendo você, tenho 22 anos. Capricórnio de ascendente em touro e lua em escorpião. Não entendo muito, mas acho que ajuda quando digo que faço sexo casual. Ou pelo menos tenho feito um bocado rs. Interessante é a parte do "anônimo". Não consigo fazer o que quer que seja com outro cara sem conversar, conhecer um pouco mais, dar e receber carinho. Não acho que seja anônimo por isso (apesar de usar muito o grindr), mas não deixa de ser casual. As vezes fico um pouco mal porque é comum alguns caras acharem que já quero algo a mais só porque os tratei com respeito e com carinho mesmo e sinto como se estivesse enganando alguém vez ou outra.... Mas enfim, é a forma como trato as pessoas, agora de forma (bem) menos autodestrutiva. Também respondendo, achei uma área no meu curso que tem me interessado. É pra ela que remo agora. As férias me fizeram bem :)

      Excluir
    5. Antes que eu me esqueça, qual é o nome do livro?

      Excluir
  7. 1 - Vocês também apresentam ou já apresentaram comportamentos autodestrutivos?
    Muitas vezes, geralmente quando me encontro diante de situações que não quero encarar e prefiro fugir. Recentemente descobri que boa parte desses comportamentos estão relacionados ao fato de não me aceitar gay. Soa irônico para mim e para muitos dos que me conhece apesar de todo empoderamento e vivências, não me aceito gay. Não sou o único. Já consegui vencer pelo menos uns dos hábitos que ornavam esses momentos de autodestruição: O fumo.
    Outros motivos são ansiedade e apatia em doses cavalares - sentimentos gerados pelo medo na hora de encarar situações, problemas. Isso me paralisa muitas vezes e gera comportamentos autodestrutivos como: protelar situações importantes, parar diante da primeira dificuldade nos estudos, descuidar da minha saúde. E tanto ansiedade e apatia se relacionam em algum ponto com a não-aceitação da homossexualidade.

    2 – Como foi a história de quando vocês contaram para suas famílias? Vocês foram tão dramáticos quanto eu fui? Vocês sentiram a sensação de alívio? Como foi a reação deles?

    Eu nunca me senti dentro do armário até o momento que tive plena consciência que sou gay. O armário passou a existir desde então. A única pessoa da família que contei até hoje foi minha mãe. Quando eu tinha 17 ela havia me perguntado, mas à época eu não sabia e disse que não e que não me sentia atraído nem por meninos nem por meninas. Esta pergunta já deixou o terreno mais favorável para alguns anos mais tarde.
    Aos 21, ela percebeu que eu estava triste durante uma ligação e perguntou se era por sentir saudades do amigo que dividia quarto comigo numa república em que morei e que tinha ido embora. Ela percebeu que a relação não era só de amizade. Entendi como um sinal positivo para contar e lhe disse que quando estivesse em casa contaria algo. Protelei por duas semanas enquanto estava em casa e desisti de contar até ela me perguntar o que tinha para lhe dizer. A boca ficou seca, o coração disparou a voz não saia. Então ela fez um jogo adivinhatório com perguntas desde, se estava viciado em drogas, se eu engravidei alguém e por fim se eu era gay, quando assenti com a cabeça que sim. Ela esboçou uma face de 'Grande novidade!'. Sempre soube. O meu pai desconfia e já lhe perguntou, mas ela lhe disse que se ele quisesse saber teria de me perguntar, coisa que nunca vai acontecer. Minha mãe lida muito bem com a situação, mas eu tenho um certo receio de como será essa aceitação quando eu tenha um relacionamento. Muitas pessoas dizem aceitar a homossexualidade, mas desde que sejamos castos. Espero que ela não faça parte desse grupo e nunca tive coragem de questioná-la sobre essa possibilidade. Agora eu lido com armário para o restante da família que sabe, mas o saber não é o mesmo que ouvir de nossas bocas. O ato de dizer tem um carga emocional e representativa muito forte e acredito que o livrar-se do armário é um passo importante para plena aceitação da homossexualidade, mas nenhum peso de nossas costas nos é retirado quando isso acontece, acredito que eliminamos apenas a vergonha de ser gay.

    3 – O que te dá propósito e quais as suas ações frutíferas? O meu maior proposito é autoconhecimento.

    Conhecer-se é fundamental. Em segundo vêm meus estudos meus estudos (concluí-los), o desejo de viajar ao redor do mundo; morrer com a certeza de que não me arrependerei de nada que tenha feito para ser feliz.
    Ações frutíferas: tentar extrair o lado positivo de tudo, incluso da situações ruins, ler muito, nutrir-me de sensibilidade e ter empatia o máximo que possa

    ResponderExcluir
  8. Não entendi direito. No outro blog você não disse que sua mãe tinha pego seu celular e descoberto?
    Ou aquilo era como um conto?

    ResponderExcluir
  9. Começo c/ um texto de autor desconhecido (quem souber, por favor, credite) mas q retrata minha vida no armário.

    “Por ser quem sou, não posso ser quem gostaria de ser
    Privo-me dos desejos mais comuns que um ser humano pode ter

    Por amar quem me ama, preservo meu status de bom moço perfeito

    Por amar quem eu amo, me odeio por permitir que isso aconteça

    Mato-me por dentro, firo cada vez mais meu coração que já esta cansado de sangrar

    Por odiar às circunstâncias, vivo numa constante irrelevante
    Castigo-me cada vez que desejo e penso em quem amo enquanto uso aquela veste de bom moço perfeito

    Mas me delicio com o imenso prazer que é estar com quem amo
    Sentir seu cheiro, ouvir sua voz, olhar em seus olhos, sentir o seu corpo é uma tortura no final das contas
    Apesar de tudo, adoro esse castigo, essa tortura

    Por que isso é amar quem eu amo

    Mas por ser quem sou, não posso ser quem gostaria de ser”

    Leio o "Solto" e o "Armário" há mto tempo mas não sei explicar pq nunca deixei comentário ou falei minha história, talvez por algum receio bobo e tardiamente resolvi fazer agora, tenho 37 anos e ainda estou no armário.

    Dizem q todo homem têm uma fraqueza, têm seu ponto de absoluta rendição, o meu ponto fraco é minha grande covardia em sair do armário e poder ser quem gostaria de ser.

    O mundo está +tolerante à diversidade mas há esse mundo macro e o mundo micro, o meu mundo, onde não posso ser quem sou, há sérias e delicadas complicações familiares, comerciais, sociais e profissionais envolvidas.

    Sou covarde, sei disso, mas é mto difícil p/ mim, é uma vida dupla sufocante mas é vital e necessária q seja assim.

    Estou em um relacionamento há +de 6 anos e meu namorado quer casar comigo. Ele sempre soube q vivo no armário e q eu não saio mas mesmo assim ele me quer, ele diz q aceita, q vale o sacrifício.

    Eu quero mto viver c/ ele mas por ser quem sou, não posso ser quem gostaria de ser e quem o meu namorado verdadeiramente merece, é ter alguém q realmente possa ter uma vida plena à dois c/ ele. Seria injusto c/ ele e mto egoísmo meu o privar de ter uma vida à dois, livre, c/ carinhos públicos, desimpedida e s/ segredos.

    Qdo penso no casamento enquanto cerimonial, não pareceria o nosso casamento, minha covardia em viver no armário faria parecer que seria só o casamento dele, somente a família dele e os seus amigos estariam presentes pois da minha parte não teria praticamente ninguém p/ convidar e fazer isso c/ ele não seria justo.

    Um casamento c/ alguém q está no armário seria mto difícil de administrar, certas datas festivas das famílias seriam um impasse, faço parte da família dele e apesar de tudo, sou mto bem recebido por eles, mas na minha família não há como eu o levar, sou “hétero”, sou o “bom moço perfeito” q todos esperam q eu seja, como explicar eu trazer um “amigo” para datas especiais como Dia das Mães ou Natal por exemplo e não é justo fazer isso c/ ele.

    Ele é sempre um doce comigo e responde q a gente não manda em nossos corações, nós nos encontramos nessa vida e nos amamos intensamente e se tiver q ser assim, comigo no armário, então q nossa vida seja assim, mas não é justo, ele merece + e não posso dar-lhe + por ser quem sou, não posso ser quem gostaria de ser.

    É uma situação difícil e desejo verdadeiramente conseguir resolver apesar de ainda não ter a menor noção de como farei.

    ResponderExcluir

#HTML10{background:#eee9dd ;}