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domingo, 17 de janeiro de 2016

Quem sou eu e o que eu quero da vida?

Este texto discorre sobre como perdemos nosso senso de identidade 
e também fala dos traumas emocionais que gays carregam consigo 
durante a vida adulta depois de terem saído do armário, 
com algumas dicas para uma vida mais positiva.

“Você se lembra a primeira vez em que soube que era gay? Talvez você se imaginou conhecendo um homem bonito, se apaixonando perdidamente por ele e vivendo a vida juntos com alguns cachorros, ou até com filhos. Em algum ponto da sua vida, esse sonho morreu.” The Velvet Rage, Alan Downs 2004.
    

    Existe um fenômeno interessante que acontece com homens gays que nos faz querer ser o melhor que pudermos. À primeira vista esse fenômeno parece ser algo geral dos humanos, afinal, quem não quer ser o melhor? A diferença é que nós, gays, colocamos tempo e esforço desproporcional se comparados com nossas contrapartes héteros.
Alguns autores escreveram[1] sobre essa supercompensação, e ela faz muito sentido. Já que não temos a garantia de validação[2] vinda das nossas famílias, amigos ou de deus, investimos nosso senso de valor próprio em áreas em que o sucesso possa vir com mais certeza se nos esforçarmos mais (e muito), a saber: vida acadêmica, vida profissional e nossa aparência.
    Tentei tirar a prova. Eu olho ao meu redor e os gays que conheço são todos excepcionais em suas áreas. Excepcionais mesmo, daqueles que excedem todas as expectativas e estão muito acima da média. É um fenômeno tão geral que até a bicha poc poc cabeleireira do bairro se destaca com sua expressão criativa, domina a expressão feminina às vezes melhor do que mulheres, esbanja conhecimento como guru da moda enquanto as senhorinhas do bairro fazem fila por um espaço na sua agenda para fazer o cabelo com ela. Cada um se destaca de acordo com seu meio, numa taxa maior que a dos héteros.
    Em linhas gerais, nós nos destacamos melhor que os héteros, temos mais dinheiro para gastar conosco, mais cuidado com nossos corpos, somos mais expressivos em áreas criativas e ainda temos mais parceiros sexuais do que qualquer outro grupo demográfico. Apesar disso tudo em nosso favor, muitos de nós não sentimos satisfação com a própria vida, apresentamos altos índices de depressão e suicídio, e isso pode nos levar ao seguinte questionamento: será que, mesmo sendo o melhor que eu puder, o simples fato de eu ser gay é uma maldição que me impede de viver uma vida minimamente realizadora?
    
    Um Senhor Anônimo diz: “Mas Henrique! Isso deve ser só para aqueles gays de armário, tipo você até uns meses atrás. Se eles não se aceitam suas sexualidades e vivem se escondendo, eles não vão se sentir realizados como pessoa mesmo, não importa o quão bons sejam em qualquer aspecto das suas vidas, pois eles estarão vivendo uma mentira.”
Pois é, senhor anônimo, tens razão. Quem está no armário certamente não deve se sentir realizado, mas por que será que tantos de nós que já estão fora do armário e aceitam suas sexualidades ainda se sentem tão miseráveis e depressivos?
    Eu estou em paz com minha sexualidade já há muito tempo e saí do armário para minha mãe e irmã no ano passado. Independente de como me sinto hoje sobre ser gay, eu não saí ileso psicologicamente daquele período sombrio de armário. Dificilmente alguém sai ileso. Hoje a pessoa que sou apresenta muitas cicatrizes emocionais e algumas feridas ainda abertas que anos de tortura emocional cravaram profundamente no meu ser. Eu vivi por muitos anos achando que existia algo fundamentalmente errado comigo, me escondendo, me odiando, e achando que eu não era digno de receber amor. Esse constante estresse psicológico forjou vários traços da minha personalidade e me incentivou a cultivar comportamentos que persistem mesmo depois de eu ter saído do armário, como se fosse uma rotina, como se fosse uma coisa mecânica, como se fosse a única coisa que eu sei fazer para me proteger e me trazer um mínimo de satisfação com a vida. Se você se identifica com essa angústia, nosso problema hoje não é mais nos aceitar ou nos convencer de que ser gay é okay, mas sim lidar com as feridas emocionais que nossos anos de juventude nos trouxeram.
    Talvez eu preciso de terapia mas convenhamos, terapia é um luxo que está fora das minhas possibilidades e de muitos outros brasileiros. Enquanto isso, vou tentando tapar os buracos como posso. O mais recente tapa buraco foi o livro de auto ajuda para gays (The Velvet Rage, 2004) que recomendei aqui no blog, e que me fez reconhecer como somos um grupo sofrido e traumatizado (que novidade!). Nossos traumas, se não forem reconhecidos e tratados, podem persistir por décadas nos evitando de progredir na vida com nossos vícios comportamentais como abuso de substâncias, alcoolismo, obsessões irrealistas, agressividade, vício em sexo, sexo com anônimo e com estranhos, dificuldade de manter relacionamentos, entre outros.

    É uma sensação muito engraçada poder se identificar com aquelas situações desesperadoras relatadas no livro, olhar pra traz e perceber o quanto você sofreu. Desde criança, ainda sem saber nada do mundo, nós sofremos e nem percebemos. Ainda crianças, sem ter tido a chance de ter uma noção de quem somos, sabíamos apenas que tínhamos algo de diferente dos outros meninos e que precisávamos esconder nosso segredo. Desde criança já tínhamos que lidar com a ansiedade de que nosso segredo fosse descoberto. Às vezes até nos distanciamos das outras crianças porque elas têm um faro aguçado para apontar diferenças, e crianças podem ser muito cruéis com quem é diferente. Sofremos sem saber, e não podíamos pedir ajuda pois nem sabíamos como.
Para tentar lidar com essa pressão, esconder nosso segredo e compensar pelo nosso defeito, fugimos de nós mesmos e nos tornamos quem os outros quisessem que fôssemos. Nos tornamos uma pessoa que não seríamos necessariamente caso tivéssemos um senso do verdadeiro ‘eu’. “O que você quer que eu seja? Um estudante exemplar? Um exímio jogador de vôlei? Um nadador olímpico? Um engenheiro, médico ou advogado? Eu serei o que você quiser que eu seja.”
    Procurando satisfazer as expectativas dos outros sobre nós, perdemos o nosso senso de identidade e passamos a construir uma fachada de perfeição para proteger a verdade que existe no seu interior. Na verdade, nem tivemos a chance de desenvolver um senso de identidade, um eu autêntico, e portanto soa estranho dizer que perdemos esse senso. Afinal, não podemos perder o que nunca tivemos.
    Assim, o eu inautêntico toma forma e passamos a investir cada vez mais em manter essa fachada perfeita para desviar a atenção do segredo que guardamos e, caso ele venha a vazar, usamos a perfeição como uma maneira de compensar pelo nosso defeito. Construímos essa fachada com as melhores roupas, as melhores notas na escola, o melhor carro, o penteado mais perfeito e atual que já existiu, as melhores fotos do Instagram, o gosto em música mais requintado e exótico, a casa melhor decorada, o corpo com músculos mais trincados, os mais belos e mais numerosos amantes, os hobbies e coleções mais incomuns, uma dedicação desproporcional à carreira, uma namorada ou esposa para disfarce com quem quase não fazemos sexo, uma grande dedicação à espiritualidade, etc etc. Cada um de nós encontra a sua obsessão para investir exaustivamente à perfeição.
    A busca pela fachada perfeita tem um custo, e passamos a nos cobrar demais. Eu, por exemplo, recorrentemente tenho pensamentos que me fazem me sentir um completo fracasso. Eu sou bem educado, ético, formado em engenharia elétrica, moro em Nova York, não sou tão feio, tenho dentes bons, sou independente e no momento tenho tudo o que quero materialmente. Por que, mesmo assim, esses pensamentos insistem em se passar pela minha cabeça? Pois é, é absurdo, mas surpreendentemente comum com homens gays.
    
    Esse papo parece meio exotérico mas, para acharmos alguma satisfação na vida, temos que encontrar nosso eu verdadeiro. Temos que parar de procurar validações sobre nosso eu inautêntico e achar nosso eu autentico. Para muitos héteros, o desenvolvimento do ‘eu’ verdadeiro ocorre naturalmente, pois eles são validados e encorajados quando falam de garotas, ou quando levam suas parceiras em encontros e começam um namoro. Isso os ajuda a ter uma ideia consolidada de quem eles realmente são, pois eles encontram validação autêntica cedo, sabem como isso sente e podem descobrir validação autêntica em outros aspectos de suas vidas. Nós, por outro lado, não temos ideia de quem somos, pois passamos a vida procurando nos apresentar de uma forma inautêntica e não aprendemos a identificar quando somos validados autenticamente.
    Depois de alguns anos recebendo validações inautênticas, em algum estágio das nossas vidas paramos, refletimos e concluímos que não nos conhecemos. No meu caso, o sexo casual e anônimo dopou a minha necessidade de validação autêntica por alguns anos, e quando nossos comportamentos não nos trazem mais realização, nos sentimos apáticos com tudo e sem motivação. Nesse estágio, somos levados a nos perguntar: “Será que a vida é só isso e não tem mais nada para me oferecer? O que pode me trazer satisfação com a vida?”
    
    A parte mais dura para mim no livro todo foi descobrir que sexo anônimo é uma forma de eu procurar validação de estranhos. Com eles, eu posso me apresentar com o personagem que for, posso ser o que eles esperam que eu seja, novamente afetando meu senso de identidade. Antigamente, por eu ser alguém procurando validação e por eu acreditar ter um defeito que me faz ser indigno de ser amado, eu me cerquei de homens para me convencer de que eu sou amável. Afinal, se homens me desejam, eu devo ser minimamente digno de amor, e esta é a maior ferida psicológica que eu trouxe dos meus anos de armário. Hoje, o comportamento continua por inércia e não me satisfaz.

“Meu ex – que Deus o tenha – era viciado nisso. 
Todas as noites ele se dirigia até esse famoso banheiro de 
beira de estrada, levava algumas garrafas de vinho com 
ele e lá ele ficava pela noite toda, transando ou procurando 
por sexo. Ele era obcecado com caras masculinos, 
trabalhadores da estrada. Ele é o epitoma de uma alma 
torturada, afogando suas mágoas com álcool. Sexo 
casual sem fim, fingindo estar procurando pelo cara 
impossivelmente perfeito para preencher seu gigante vazio emocional."
In the Age of Grindr, Cruising and Anonymous Sex Are Alive and Well
Disponível aqui.
Vice, 07 Jan  2016

Nos meus encontros, eu escolho não me mostrar como Henrique, com todos os meus vícios e minhas vulnerabilidades, pois não sei lidar com invalidação e a vergonha que isso traz. Eu não sei me relacionar, não sei expor meus defeitos e nem aceitar o dos outros. Pelo curto período do encontro e pelas poucas palavras trocadas, também projeto minhas fantasias e expectativas sobre meu parceiro, por mais irrealistas que sejam. Homens gays geralmente não sabem lidar com essa vergonha de serem invalidados por quem realmente são, e por isso pulam de galho em galho, constroem e destroem amizades, mudam de cidade, de emprego, de parceiro ao menor sinal de invalidação, buscando sempre o que lhes façam se sentir melhor.
    
    Em algumas vezes no meu blog antigo mencionei sobre a angústia de viver duas vidas e como isso me frustrava, e parece que esse fenômeno é bem comum com gays mesmo. Claro que eu tinha ideia que fosse mesmo comum, mas ler isso de um psicoterapeuta ajuda a dar mais crédito à ideia. O autor chama esse fenômeno de levar duas vidas de splitting (em inglês significa divisão), e pode ocorrer com héteros também quando, por exemplo, eles mantém um caso extraconjugal. Passamos a esconder uma boa parte das nossas vidas que julgamos não esperamos que seja validada por nossas famílias e amigos, e apresentamos uma vida que pode ser validada por trás da fachada de perfeição, prejudicando ainda mais nosso senso de identidade. Procuramos nossos parceiros o mais discreto possível, evitamos trocar telefone, evitamos dar qualquer informação que possa dar alguma dica a eles sobre quem realmente somos e diminuir as chances de que as vidas se encontrem, enquanto para nossa vida social passamos a mentir sobre o que estamos fazendo, com quem estamos, e assim viramos mestres da mentira. Mesmo depois de sair do armário esse comportamento pode continuar.
    Também, muitos homens gays que não se sentem satisfeitos com as validações do seu eu inautêntico se veem sem esperança com o futuro. Não se imaginam mais cultivando uma carreira, não se imaginam formando uma família, e às vezes nem se imaginam envelhecendo. Por terem dificuldade, ou repulsa de envelhecer, alguns, mergulhados em depressão, se veem consumidos por comportamentos auto destrutivos como abuso de substâncias e sexo desprotegido. Quando a pessoa não tem esperança de viver até a velhice, HIV ou overdoses não fazem tanta diferença. A obsessão com o imediatismo e a juventude leva homens gays a se dedicarem demais aos seus corpos e evitarem a todo custo envelhecer, passando horas na academia, gastando fortunas com plásticas e contando cada caloria ingerida. Nas suas lógicas, se seus corpos não lhes trouxerem sexo com os carinhas de 20 ou 30 anos, a vida não terá mais sentido.

    Para encontrarmos alguma realização na vida, precisamos apresentar ao mundo quem realmente somos, sem a fachada. E meu amigo, não é fácil e às vezes nem temos a capacidade para fazer isso durante nossas vidas. Encontrar autenticidade pode envolver términos de relacionamentos, de amizades e de carreiras. Eu me analiso e penso se ser engenheiro eletricista é algo que me traz satisfação e tenho medo da resposta.
    A ideia de que precisamos mudar nossos comportamentos é o primeiro passo, mas ela por si só não traz mudança. Mudança e descobrimento do eu autêntico ocorrem através de pequenas ações conscientes no dia a dia, e não com uma decisão de virar a vida em 180º de repente, ou mudar de cidade, ou mudar de emprego. No livro existem algumas dicas sobre como praticar autenticidade, mas para não estender este texto demais, vou apenas mencionar as que eu achei mais importantes. São elas. 

 1 – Suas ações devem refletir o homem que você quer se tornar.
“Okay, mas quem é o homem que eu quero me tornar?” Não sei, eu também estou desenvolvendo a ideia do homem que quero ser. De qualquer forma, antes das suas pequenas decisões diárias, suas ações devem estar em conformidade com seus valores e o homem que você se tornaria ficaria satisfeito com a sua decisão.

2 – Satisfação própria deve ser priorizada sobre aprovação de terceiros
Escolha atividades que te tragam mais satisfação consigo mesmo ao invés das que são focadas em obter validação dos outros.

3 – Aceite a realidade como ela é
Se as coisas não saíram do teu jeito, pare de insistir que saiam. O autor cita um salmo muito legal que diz “Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar as que posso, e sabedoria para ver a diferença”. (Recitado frequentemente em reuniões dos alcoólicos anônimos)

4 – Uma coisa, uma pessoa, uma conversa de cada vez
Esteja presente em sua total consciência nas atividades do seu dia a dia, seja uma refeição, uma leitura, ou uma conversa. Ao estar presente, você terá a capacidade de sentir os pequenos sentimentos de satisfação que algumas atividades podem te trazer, e assim descobrir mais sobre seu eu autêntico.

5 – Sempre que possível, tente não julgar
É auto explanatória, né? Como diz o marreco da sabedoria, “não julguei-des paras não serdes julgado”. Se as pessoas percebem você como uma bicha cínica cheia de julgamentos com uma a língua afiada, a mensagem que você passa é que você é perigoso de manter perto demais e ninguém vai querer ser seu amigo. Quem toma a posição de julgar e condenar os defeitos dos outros, geralmente são os que mais julgam a si próprios, se torturando com seu próprio julgamento. Quanto mais cínico você é com outros, é mais difícil para você revelar seu eu verdadeiro ao mundo. Afinal, como você pode ser imperfeito se você não tolera defeitos nos outros?

6 – Pensamentos negativos geram pensamentos negativos
Se você se ver afundando em depressão, ou ansiedade ou qualquer sentimento negativo, tente tirar sua mente do que te trouxe esse sentimento. Ligue para um amigo e converse sobre a vida dele, leia um quadrinho ou veja um episódio de alguma comédia, mas não fique preso ao sentimento negativo.

7 – Respeite seu corpo
Seu corpo é sagrado, é sua única verdadeira posse, então trate-o como tal. Aceite como ele é hoje e não como ele será no futuro, independente das plásticas ou metas de peso e músculos. Não atente contra sua integridade física. A não aceitação do seu corpo é um reflexo da sua incapacidade de ser autêntico.

8 – Nenhum sentimento dura para sempre
Quando você estiver deprimido, com medo, angústia ou muita ansiedade, lembre-se que nenhum sentimento é eterno. Suicídio é uma solução permanente para um problema temporário. Tudo passa.

9 – Não deixe que seu gosto sexual seja um filtro para você conhecer pessoas
Tanto porque o exterior não tem nada a ver com o que a pessoa é por dentro, né? Essa dica é auto explanatória, mas nós ficaríamos surpresos em perceber como nós nos fechamos às pessoas que não satisfazem nossos gostos sexuais, especialmente quando estamos conhecendo pessoas novas.

10 – Sempre procure pela inocência nos outros
Isso traz paz, tanto nas relações pessoais quanto em relacionamentos amorosos. Se a pessoa age de forma que te machucou, assuma que ela tem um bom motivo para agir assim. As chances de alguém querer machucar outrem, conscientemente e deliberadamente, são mínimas. Quando alguém nos machuca, é porque ela mesmo está machucada, então sejamos fortes pelos dois.

11 – Viva em integridade
É a minha dica favorita.
Tente ser sempre o mais honesto que você possa ser, mesmo que pareça ser mais fácil esconder a verdade. Casais que mantém segredos entre si começam a se distanciar, lenta e imperceptivelmente, e dificilmente terminam juntos. Manter segredos alimenta seu cinismo e destrói a confiança que você tem em si mesmo, no seu relacionamento e no seu parceiro. “Se eu mantenho esse segredo, imagina o que ele mantém escondido de mim! Se eu mesmo sou capaz de mentir e trair, com certeza outros são também.”
Não somente em relacionamentos, mas viver em integridade também significa ser único, sem mais “splitting”, sem duas vidas. As nossas ações e pensamentos devem refletir nossos valores, e não deveríamos ter vergonha de comentar sobre isso com as pessoas dos nossos círculos quando nossas ações estão em concordância com nossos valores. Não precisamos cultivar duas vidas separadas, uma em que sou livre para ser gay e outra em que é aceitável apresentar para os outros me validarem. Nossos esforços têm de ser no sentido de unir as duas vidas que temos, para que sejamos íntegros e autênticos.

    Eu gostaria de saber mais sobre assuntos psicológicos para poder falar com mais propriedade e clareza sobre nossos traumas. O que apresentei nesse texto foi muito do que aprendi baseado na leitura de “The Velvet Rage”. Se vocês decidirem ler o livro, espero que ele contribua para vocês o tanto que contribuiu comigo para me tornar uma pessoa melhor e mais consciente de mim e dos meus problemas.  
Um grande abç,
Henrique.
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[1] - Um texto muito legal sobre o "melhor rapazinho do mundo" que os gays querem ser desde crianças. Disponível aqui.
[2] - Validação é uma das formas de como comunicamos aceitação sobre nós e sobre outros. Detalhes aqui.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Recomendação de leitura


    Eu não tenho o hábito da leitura. Confesso que o último livro que eu li, Lucíola de José de Alencar, foi há quase 10 anos, e apenas porque era um requisito para fazer vestibular. Reconheço que gostei da história, me emocionei e chorei como uma criança no final, mas depois disso, limitei-me à leitura de revistas e jornais e nunca mais livros fizeram parte da minha vida.
    Muito para minha surpresa, minutos atrás eu estava terminando a leitura de um livro que eu consumi vorazmente pelas últimas duas semanas, recomendado por um amigo depois de ter lido meu último texto no blog. (Obrigado, Rodrigo)
    A indicação não poderia ter sido mais apropriada. Me li inteiramente no livro, e aprendi mais sobre mim nessas últimas duas semanas do que em muitos anos de estagnação psicológica. O livro se chama "The Velvet Rage: overcoming the pain of growing up gay in a straight man's world", de Alan Downs e publicado em 2005.
    Downs é um psicólogo e gay. Hoje com 54 anos de idade, ele é HIV positivo desde os 26. No livro ele descreve alguns comportamentos autodestrutivos comuns entre gays, explora suas causas e como o cultivo de pequenas habilidades podem nos levar a uma vida realizadora. As histórias de seus clientes ilustram algumas análises objetivas sobre conflitos comuns na vida dos homens gays, o que torna uma leitura menos técnica e mais humana.
    Recomendo fortemente para os senhores que estejam lidando com falta de realização na vida, desesperança e incapacidade de manter relacionamentos. Ainda estou digerindo toda a informação que recebi, e espero em breve escrever sobre minhas conclusões e aprendizados.
    Para quem for ler, ou já leu, fica o convite para discutirmos o livro nos próximos textos, e sintam-se à vontade para indicar leituras que vocês julgarem impactantes!
Um grande abç,
Henrique.
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