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terça-feira, 22 de março de 2016

Eu mereço ser amado, porra!



Sempre fui um cara que escreveu muito sobre amor, paixão e as mais intermináveis variações que habitam esses dois sentimentos. Li vários livros, artigos científicos, livros água com açúcar para ter o máximo de domínio sobre o assunto e, no início desse ano, percebi que não sabia nada. Não, esse não é um texto sobre o amor e o que ele faz – te deixando sem saber como agir ôÔÔô -, mas sobre como eu, você e até seu ex fdp merecem amor. Muito amor.

Não é fácil estabelecer conexões amorosas no nosso meio – o gay. Nada nos indica que é possível dois homens se amararem, seja pela vida inteira ou por um breve momento. A mídia televisa mostra mal e porcamente casais gays e, quando mostra, eles não tem sexualidade, no máximo um selinho – que quase causou a primeira guerra mundial na internet brasileira! Pela rua, poucos são os casais corajosos que se dão aos mãos, se beijam e expressam o que realmente sentem e vivem, no melhor sentido da palavra, um amor, no tempo que for. Sem contar esse nosso desejo feroz em busca do sexo que respinga nas nossas relações amorosas. Quem nunca pensou que aquele cara incrível que conheceu no Tinder poderia ser o amor da sua vida?

Alguns, sem medo ou sem noção, se jogam nesse mundo que, ao que parece, não foi feito para nós. Entre o sexo pulsante e a falta de representatividade e respaldo, nos tornamos seres relutantes ao amor e ao relacionamento a dois, a três ou quanto caber no coração. Pelo que vejo, e sinto, homens gays terminam e começam relacionamentos mais rápidos que héteros, com juras de amor e lágrimas na mesma intensidade. Como operadores de um máquina de demolição sem um manual de instruções, fazemos nosso melhor para construir algo com um outro que, algumas vezes, não dá certo e, em outras, dá muito errado. Muito.





Pra mim não foi diferente. Dei errado e, algumas vezes, dei muito errado com caras que ou tinham medo de expressar o que sentiam ou só queriam foder – e não há problema nisso, desde que os dois estejam plenamente de acordo e, nesses casos, eu não estava. Busquei intensamente alguém, no Tinder, no Grindr, nos barzinhos e nas baladas alternativas alguém para construir comigo um relacionamento e viver tudo aquilo que poderia ser vivido.

A carência de uma vida inteira era coloca na expectativa de um novo relacionamento que sempre naufragava nos primeiros meses. O ideal de homem nunca era suprido, tanto meu quanto dele, e no mesmo fogo que começava, terminava. Mesmo ariano, fogo da cabeça aos pés, não poderia culpar meu signo por tantas desilusões, uma atrás da outra, como num disco riscado. Muito riscado.
Eu sei, cansa. Cansa pra caralho e o medo de recomeçar e dar errado de novo se torna maior do que a esperança e morremos na praia na primeira briga, desentendimento ou desilusão. Mas, pense pelo outro lado, o seu par também está tão perdido como você, com tanto medo de naufragar quanto você! O medo da solidão e do abandono o assola também e, no final, são dois cegos recuperando a visão de um mundo novo que, como disse, parece que não foi feito para nós. Mas foi, muito!

Nós merecemos ser amados, meus caros, nunca duvidem disso. Eu não sei como, eu ainda não sei o porquê, mas a gente ainda vai conhecer/descobrir alguém que vai nos mostrar tudo que podemos viver a dois. Se posso dar uma dica à vocês seriam DESCONSTRUAM o máximo que puderem a ilusão do homem perfeito, do corpo perfeito, do pau perfeito, isso não existe! Os caras de filme pornô e os modelos do Instagram, com corpos e sexos perfeitos são apenas ilusões de uma sociedade doente pela perfeição dos corpos.


Você será amado pelo que é, do jeito que é, pelas qualidades que têm. Não quero fazer um discurso motivacional, mas depois de tantos livros, artigos e livros de água com açúcar lidos, se posso tirar algo deles, seria: o amor é possível para nós, porra!  

E vocês, tem histórias de amor, quase amor e similares? Conta aqui em baixo, leio e comento todas - até pq, não há nada melhor do que comentar o relacionamento dos outros, né? <3      

4 comentários:

  1. Que belo texto! adorei! Eu sou um romantico incurável e acredito no amor, sempre, sempre! Acho que temos sempre dois caminhos, um é exatamente o que vc sugere, insistir, seguir, procurar acreditar. O outro é desistir, achar que "homem não presta" e "ninguem quer nada sério" e muita gente segue por este caminho...infelizmente...
    meu destaque no seu texto é:
    " Nós merecemos ser amados, meus caros, nunca duvidem disso. Eu não sei como, eu ainda não sei o porquê, mas a gente ainda vai conhecer/descobrir alguém que vai nos mostrar tudo que podemos viver a dois. " ADOREI!

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  2. Você citou praticamente aquilo que nos faz não sermos amados: Construir a imagem de um homem utópico baseado naquilo qua a indústria dita como o certo.
    Não basta você ser simpático e ter boa postura. Você tem que ter o corpão, pintão, carro, local, ser macho, e um tanto de outras coisas.
    As pessoas têm o costume de exigir muito do outro e oferecem pouco de si mesmo. Quantas vezes nestes app's deparamos com pessoas tão sem conteúdo, mas por estarem esteticamente no topo da cadeia, ficamos frustrados com o chute na bunda.
    Desconstruir essa visão do homem perfeito não é nada fácil, infelizmente, volta e meia deparamos com a necessidade de estarmos também nesse padrão para sermos aceitos.
    Eu ainda vejo um longo caminho para ser percorrido até essa mistificação do homem gay ideal para o relacionamento do sonhos chegar ao fim. Enquanto isso, precisamos a cada dia matar um leão, sermos mais fortes e acreditar em si mesmo, acreditar que ninguém é perfeito e tentar contornar as coisas para ser e ter alguém que nos faça feliz!

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  3. Sempre gostei muito dos seus textos e do seu trabalho nos blogs. As dificuldades de encontrar um amor estão presentes também nos relacionamentos heterossexuais. É uma questão de atitude e de sorte também. Mas, enquanto o amor não aparece, não podemos depender disso pra ser felizes. Vamos vivendo, com prazer e responsabilidade, o que a vida nos oferece. No meio gay talvez há ainda o fato de haver mais disponibilidade sexual, o que é bom de um lado e ruim de outro, já que há menos gente disposta a abrir mão disso para viver o amor com uma só pessoa. Recomendo o filme Quatro Lunas (quatro luas), com belas histórias contando sobre diferentes relações gays, com muito desejo, amor, dor e alegrias. No site filmesgays.org você poderá assistir ou baixar. Abraços.

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  4. Sou mulher hétero e aprecio seu blog. Algumas de suas questões também são vivenciadas por nós, mulheres. Não tá fácil pra nós também. Acho que há mais mulheres do que homens. Os que são como queremos ou estão comproometidos ou são gays. Há muitos gays lindos, viris (a gente se engana com esses, hahahahah) e interessantes. Entre os homens héteros os que são assim não ficam soltos muito tempo. Quanto ao amor entre homens, a gente vê pela mídia alguns exemplos maravilhosos: os atores Matt e Blue, que têm um canal no youtube; ou os tb youtubers Lorenzo e Pedro, de Portugal, que têm um canal de culinária divertidíssimo, só para citar alguns. Sim, querido, todos nós merecemos ser amados independente da nossa sexualidade. Há diversidade de gostos e fazemos o tipo de alguém que também faz o nosso. Agora é ver se rola o encontro.

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