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terça-feira, 19 de abril de 2016

Projetos Mãos Dadas - Existir

Relatei pra vocês, uns dois ou três post atrás, sobre a situação constrangedora que passei com meu namorado, voltando do cinema aqui em Niterói. Por mais que eu negue, aquele fato mexeu realmente comigo e com meu relacionamento e eu, mesmo já tendo sido vítima de homofobia, me vi numa encruzilhada: ser ou não ser quem, realmente, sou.

Conversando com meu namorado, percebi que existia mais coisas naquela situação do que pudemos imaginar. Nós, jovens, gays e metropolitanos acabamos de ser vítimas de uma "homofobia velada". Afinal, aqueles olhares não nos devoravam por curiosidade ou espanto do novo. Era ameça.

Bem, partindo de Lacan " o que você vai fazer com o que fizeram de você", resolvi fazer algo com "isso". E fiz, aliás, fizemos. Eu e meu namorado criamos o Projeto Mãos Dadas que quer dar visibilidade e representatividade aos relacionamentos gays do Rio, do Brasil e do Mundo! Assim como nós, descobrimos que outros casais e pessoas já se "esconderam" no arquétipo normativo para existir, para não ser agredido, para se manter vivo. E, quando nos omitimos de nós mesmos, perdemos a essência de quem realmente somos e isso é uma violação a nós mesmos.

Por isso, quero convidar você a curtir e compartilhar com a gente sua resistência ao existir como gay. Lá na page tem todas as informações para você enviar sua foto, seu texto e seu vídeo para que mais e mais homossexuais tenham força e coragem para sair dos seus armários e conquistar o mundo.

Vem com a gente, de mãos dadas!

https://www.facebook.com/coletivomaosdadas/


quarta-feira, 6 de abril de 2016

Imagine um homossexual qualquer



Ser homossexual exige, antes de tudo, coragem. Antes das baladas, dos memesda Inês Brasil e das gírias próprias, nascer e crescer homossexual é um ato de bravura admirável. Não, não estou exagerando. Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas em certos momentos, temos mais medos que esperanças no futuro, sensação que aprendemos a conviver para nos mantermos sãos e, o mais difícil, vivos.


É difícil pensar que alguém escolheria ser gay, nas conjunturas que nos foram impostas. De verdade, você acredita que alguém escolheria a possibilidade de perder pais, amigos, oportunidades de trabalho pelo simples fato de amar alguém do mesmo sexo que ele? Ou, pior, alguém escolheria viver sobre a vigilância de olhares maliciosos à espera de um momento para agredir-nos fisicamente? Eu sei, nesses tempos isso tem sido quase impossível, mas se coloque no lugar do outro…


O medo de não ser aceito assombra nossa mente desde muito novos, quando nos entendemos homossexuais. Você que convive de perto com um homossexual, aceitando-o ou não, já imaginou a dor e o pavor de ser simplesmente quem se é; as lágrimas de desespero implorando a Deus “cura”; os planos de se adequar a heterossexualidade; a tentativa de provar, incansavelmente, sua sexualidade…. Eu sei, nesses tempos isso tem sido quase impossível, mas se coloque no lugar do outro…


Doeu, né? Na gente também, doeu e dói muito. Existem violências que não deixam marcas na pele, mas são tão profundas que nos marcam até o final da vida. Mesmo que o homossexual que você conheça não tenha sido vítima de homofobia, imagine o receio que ele tem em andar de mãos dadas nas ruas ou de ser afeminado mesmo em locais seguros. Desde muito cedo aprendemos que não existe local totalmente protegido, mesmo nos bairros ditos “mente aberta”. As agressões ao casal da Paulista e os ataques nas Praias da Zona Sul denunciam que não estamos seguros, por mais que viaturas da polícia nos cerquem. Eu sei, nesses tempos isso tem sido quase impossível, mas se coloque no lugar do outro…


Você pode dizer que melhorou bastante e o futuro promete… Bolsonaro! Sim, um homem que dedica sua — longa e cara — carreira de parlamentar a perseguir minorias cresce a cada dia em intenções de voto dos lares brasileiros. Seus seguidores se multiplicam e seu discurso começa a ecoar nas ruas, assim como nossos gritos de socorro! Sem contar Marco Feliciano e Silas Malafaia que atacam o que somos em nome de Deus, nos transformando na escória da sociedade.


E tememos Deus…


E tememos ser deixados…


E tememos ser agredidos…


E tememos ter medo…


Ser homossexual exige, antes de tudo, coragem. As marcas no corpo, na alma e no espírito são os sinais de homens, mulheres e trans que não desistiram de ser quem realmente são e lutam a cada dia por se espaço no mundo, no Brasil, dentro de suas casas e dentro de si mesmas. Alguns não resistem e se vão pelo caminho, mas é em nome delas que estamos aqui, e é em nome de uma em especial que estou aqui, gritando ao mundo a delícia de ser quem eu sou, pois a dor muito poucos imaginam.


Em memória de Luan Ferreira de Castro*, que partiu há dois anos atrás, depois de uma tentativa FALHA de cura gay e consequente suicídio.


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No mais, assistam o vídeo, é gringo, mas a dor é universal…


https://www.youtube.com/watch?v=HruTY0ue1ns

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Revolução sim, mas de amô ~leia com a voz da Inês Brasil~


Existe uma revolução acontecendo enquanto escrevo essas linhas e ela nunca foi tão necessária. Nesse exato momento, milhares de homossexuais estão sendo quem realmente são e não escondendo mais suas orientações sexuais. Todos, em suas profissões, em suas vidas particulares e nos barzinhos com os amigos sendo... gays! Quebramos a porta do armário e estamos saindo aos montes, até pelas gavetas. É hora de colocar a cara no sol!
Por muito tempo vivemos escondidos em breus, guetos e baladas escondidas frequentadas só depois da meia noite. De dia, fingimos ser héteros, engrossando a voz, segurando as mãos e enrijecendo o corpo, numa clara agressão ao nosso corpo, nossa alma e nossa mente. Fomos moldados assim, entendendo que ser “gay”, “bicha” e “mulherzina” é xingamento e a pior coisa do mundo, mas não é. Não mais.
Ainda não temos todos os nossos direitos e a proteção que precisamos para existir, de mãos dadas e beijos em todos os lugares, às claras, mas evoluímos muito desde a última década: de personagem cômico a protagonistas da nossa própria história. Longe da ditadura gayzista que SilasBolsoLiciano predizem, a única coisa que queremos é respeito e não ser atacado por pessoas mal resolvidas com a própria sexualidade. Falta muito, mas a gente chega lá.
Ontem, saindo com meu namorado do cinema de mãos lindamente dadas, encontramos pela frente alguns olhares de desaprovação, de estranheza e alguns de surpresa. No começo, não nego, tive um certo medo pela nossa integridade física, contudo comecei a perceber que meu discurso estava tomando forma no ato de dar as mãos a quem eu amo: EU EXISTO E MEU RELACIONAMENTO TAMBÉM.
Eu respeito seu tempo, também tive o meu. Não é fácil nadar contra a corrente e encaixar-se perfeitamente no padrão é quase um vício, mas não posso deixar de fazer uma pergunta, o mesma pergunta que a vida me fez ontem e que me fará todos os dias: QUER VIVER OU CONTINUAR EXISTINDO?


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